Pode, em casos extremos, haver governança sem governo e governo sem governança. Governo sugere uma autoridade formal, dotada de poder de política, que garante a implementação de políticas instituídas. Governança refere-se a atividades apoiadas em objetivos comuns e partilhados, que abrangem tanto as instituições governamentais quanto mecanismos informais, de caráter não-governamental, mas que só funcionam se forem aceitos pela maioria, ou mais precisamente, pelos principais atores de um determinado processo. Utopia, ou não? Seria possível imaginar cidadãos buscando esta governança, em seu interior? Caso isso aconteça, com pelo menos 10% da população dos países emergentes, os “tais governos” iriam a falência múltipla.

Planejamento e Participação:  
Os governos, nomeadamente os locais, estabelecem estratégias de desenvolvimento e procedem ao lançamento de instrumentos que operacionalizam esse mesmo desenvolvimento. Ao provocar mudanças sucessivas nos espaços urbanos, o desenvolvimento implicou que a preocupação da organização das cidades não fosse deixada apenas sujeita a regulações naturais e decisões públicas quotidianas desenquadradas de uma ordem e visão de conjunto. É com a evolução das cidades ocidentais a partir da segunda metade do séc. XIX, que surge a ideia do planeamento urbano, isto é, a ideia de controlar racionalmente a urbanização e o desenvolvimento das cidades. O planeamento é, assim, um conceito que subentende o controlo social do desenvolvimento. Ao encarar-se uma perspectiva espacial, estamos a conceder ao planeamento uma dimensão territorial, em que podem ser identificados vários níveis e em cada um dos quais se podem integrar múltiplos actores. A satisfação de necessidades actuais e futuras dos habitantes está subjacente ao planeamento urbano. Com o desenvolvimento da sociedade de informação e do conhecimento, cuja expansão é hoje evidente, a consciência de novas necessidades emerge. As acções e decisões resultantes do processo de planeamento, que no passado se baseavam simplesmente em pareceres técnicos, e que a generalidade da
população não questionava, são agora cada vez mais postas em causa.  Não se pode, no entanto, descartar completamente a hipótese de estas reacções se estabelecerem no âmbito da organização de certos interesses sectoriais, como os grupos de pressão. Nestes casos, há o perigo de ingerência de interesses estritamente privados no âmbito do interesse público. Esta dicotomia interesse privado/interesse público é importante por causa da motivação na origem do acto de participação, embora com a emergência da individuação haja uma tendência para a diluição da consciência colectiva (Remy e Voyé, 1992). Importa, por isso, esclarecer um pouco este conceito. Na participação pode não estar presente um interesse propriamente privado, entendido como um interesse pessoal (uti singulus ou singuli), mas antes um círculo de interesse abrangente, sectorial, que coloca o cidadão num plano de valores colectivos que fazem uma intermediação entre ele e a sociedade (uti cives). O entendimento da participação do cidadão enquanto membro da sociedade em sentido lato (uti socius) parece ser uma posição meramente ideológica, porque o cidadão acaba por se enquadrar num conceito mais restrito de interesse, seja porque reside numa determinada zona ou porque é membro de uma classe profissional em particular. Daí a sugestão de François Ascher (1995), quando propôs o conceito de citadinidade.Essa perspectiva permite-nos também fazer a distinção entre  participação interessada e participação desinteressada, conforme se valorize uma perspectiva uti singuli ou uti cives, respectivamente. A abordagem da participação de um ponto de vista da motivação permite-nos fazer a passagem para as questões do poder urbano, onde sobressai a importância do governo urbano e onde a governança é incontornável. Para François Ascher a governança urbana é “um sistema de dispositivos e de modos de acção, associando às instituições os representantes da sociedade civil, para conceber e pôr em prática as políticas e as decisões públicas” (Ascher, 2001).  Esta temática está intimamente relacionada com o problema da crise do estado e a consequente necessidade da sua reforma.

“Se pensar gera ideias, e gera, este blog  aglutinando-as permitirá, ainda, transmiti-las”

Bibliografia Utilizada:

ASCHER, François (1995),  Metapolis: ou l’avenir des villes, Paris: Éditions Odile Jacob.
ASCHER, François (2001), Les nouveaux Principes de l’Urbanisme – La fin des villes n’est pas à l’ordre du jour, La Tour d’Aigues: Éditions de l’Aube.SEIXAS, João (2000-b), «A Cidade não Governada – Motivações Públicas e Governação Urbana», in  Cidades – Comunidades e Território, n.º 1, Lisboa: CET/ISCTE, pp. 57-72.

Entrevista com Carlos Amorim

Carlos Amorim

Por Iara Félix Viana,

A reportagem de Carlos Amorim revela o que realmente é o Comando Vermelho: um filhote da ditadura militar. Criado na cadeia onde  a repressão jogou, juntos, presos políticos e comuns, cresceu no vazio político e social ao qual o capitalismo selvagem relegou a grande massa, o povo das favelas, da periferia. Filho da perversa distribuição de renda, da falta de canais de participação política para esse povo massacrado, o  Comando Vermelho pôde parodiar impunemente as organizações de esquerda da luta armada, seu jargão, suas táticas de guerrilha urbana, sua rígida linha de comando. E o que é pior: com sucesso.

Comando Vermelho não é um caso de polícia. É um câncer político. Mas não um tumor que se extirpe. A omissão, incompetência e interesse dos políticos que governam e governaram o Rio – como documenta o autor – deixaram o tumor virar metástase, enraizado em todo o tecido social. Pois não só os favelados sustentam não só o CV, como todas as outras facções. Também os filhos da classe média e os yuppies que consomem drogas dão seu sangue para alimentar o câncer. Partindo do pressuposto que, fazer parte destas organizações, garante parte dos direitos fundamentais, previstos na Constituição de 88, tais como: saúde, alimentação, segurança e LAZER, essa, população favelada, não deve ser considerada como, vagabundos, o trabalho desenvolvido por eles os Pobres do Lugar[1], constituiu tarefa árdua.

Selecionei para análise desta afirmação, o trecho abaixo, retirado das entrevistas em minha área de estudo:

-Hierarquia e Estilo (…) camiseta estampada. Usa o inevitável boné, símbolo  de ascensão na hierarquia dos morros. Porque M.W, não empina mais a pipa dos olheiros. É “avião”. Na linguagem do crime: “ultraleve”, menino-traficante. Entrega pequenas quantidades de cocaína aos viciados. O “salário melhorou bastante – chega a R$ 600,00 mensais – e não é preciso sair do Morro.”(2009)

Em outro estudo, tive a oportunidade de analisar mais detidamente o que afirma, o historiador inglês Edward Palmer Thompson[2] “A semana se divide entre Tempo Pessoal e o Tempo Destinado ao Patrão”, daqui emerge uma potencial vivência dos lugares e das cidades. Um conjunto de experiências delineadas a partir do século XVIII, esboçado no contexto da Revolução Industrial, que nos remete a construção da idéia de Nação, momento “de construção do ideário e um imaginário que rompia com o passado”. Seus artigos versam, em grande parte, sobre as histórias do trabalho e da Cultura, sempre no âmbito das questões sociais. O historiador mantém seu ponto de vista centrado na classe trabalhadora, argumentando que a trajetória dessa camada da população não é empreendida apenas no sentido econômico, mas principalmente na edificação de suas vivências históricas. A esse respeito parece-nos muito pertinente, afirmar que, não há poder sem imagem, sem um tempo, sem um lugar, os criminosos evoluíram, aprendeu a se organizar, estão inclusive no comando político. São uma grave ameaça à ordem pública. E o que vem por aí, no futuro?

Combatê-los pressupõe: primeiro, conhecer sua história, criar propostas políticas que dêem uma alternativa concreta às populações faveladas que viraram massa de manobra do CV, ou de qualquer outro espaço geográfico no Brasil onde o povo no qual o crime organizado se enraizou. É triste ver que, tanto na recente campanha para a Prefeitura quanto na campanha para o Governo estadual e Presidência da República que se anuncia, os candidatos e partidos carecem de propostas reais que mobilizem essas comunidades. Promessas vazias e demagogia não arranham o poder do CV. E os políticos continuam a barganhar votos em alianças secretas com os traficantes.

Em breve teremos as bancadas do Comando Vermelho e tantas outras Facções. Se nada mudar, logo todos esses líderes se tornarão tão “legítimos” e “populares” quanto seus aliados, os bicheiros. Pode ser até que, no vazio deixado pela prisão da cúpula do bicho, essas organizações do Crak” espalhe ainda mais os seus tentáculos. Em vez de desfilar clandestinos, nas baterias e alas, seus chefes subirão aos carros e camarotes na Avenida. E o sistema os absorverá, nas parcerias do poder.

“Não preciso mais de pistoleiros. Agora eu quero deputados e senadores.”

(Frase atribuída a “Big” Paul Castelano, o homem que por mais de vinte anos chefiou a família Gambino, uma das mais importantes da Máfia em Nova York. Ele morreu num atentado a tiros durante uma guerra entre as quadrilhas da Cosa Nostra.)

 

O objetivo deste artigo, deste blog, como também do meu trabalho atualmente, é revelar os bastidores; descortinar estratégias preconceituosas do poder público, me valendo de pesquisas, locais, e criando uma interdisciplinaridade entre, Geografia Cultural e Lazer. Sob essa óptica culturalista, portanto, neste contexto de produção, reprodução e ressignificação da sociedade, que busco evidenciar formas, e olhares, para compreender como, os deslocamentos populacionais  realizados pelo governo,  são capazes de criar/recriar  singularidades, encontros e desencontros, certezas e incertezas, conhecimentos e desconhecimentos, diferenças e indiferenças.  Revelando alteridade, demarcando uma tensão histórico-social a trajetória desses deslocamentos, constituídos por processos, de territorialidade, desterritorialidade  envolvendo além  de  dimensões geográficas e sociais, dimensões psicossociais, devem ser analisadas com cautela, respeito priorizando a participação dos envolvidos, em todos os tempos sociais.

Reservado todos os direitos autorais (Lei nº 9.610/98)

FONTES

Victor Andrade de Melo. A Animação Cultural. Conceitos e Propostas. Editora Papirus, Campinas, SP, 2006.

http://culturamauff.blogspot.com/2009/04/edward-palmer-thompson.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Palmer_Thompson

-Celso Martins  –  Repórter do Jornal Hoje  em Dia  –  19/05/2010  -  Pode chegar a pelo menos 30 o número de pessoas assassinadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) pelo grupo de extermínio que disputava pontos de tráfico de drogas em Vespasiano, Morro Alto e São José da Lapa.

-CLAVAL, P. (1995) – La Géographie Culturelle. Ed. Nathan, Paris.

-MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de Grupo: Teorias e Sistemas. Pág.204- 5. Ed.- 6. reimpr.-São Paulo: Atlas,2009

-GÓMEZ-OREA,1993. Conceitualmente, a ordenação do território é a projeção no espaço das políticas sociais, culturais, ambientais e econômicas de uma  sociedade

-GUATTARI, FELIX. Caosmose: Um novo paradigma estético. SP. Ed.34. (2006)

- MAGNANI, José Guilherme C.; Souza, Bruna M. de. (Org.). Jovens na Metrópole: Etnografias de Circuitos de Lazer, Encontro e Sociabilidade. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2007.


[1] VIANA,I.F(2010).CONTRIBUIÇÕES DA  GEOGRAFIA  CULTURAL  PARA O  LAZER    EM UM BAIRRO SEGREGADO: CIRCUITOS ESTRATÉGICOS, DESTINADOS AOS  “Pobres do Lugar”: Estudo de caso Conjunto Morro Alto – Vespasiano/MG.

[2] THOMPSON, Edward Palmer. Senhores e Caçadores: a origem da lei negra. Tradução Denise Bottman. Rio de Janeiro, Paz e Terra.1987)

Trabalho de Campo - Pesquisa/Geografia do Lazer

Entre a teoria e a prática (1)

Antes de utilizar a teoria habermasiana para a análise do presídio discutirei porque as teorias da dicotomia do tempo livre ou lazer/trabalho não permitem a existência do lazer dos presos no campo metodológico, seguido dos limites das teorias pós-modernas e da teoria configuracional de Elias e Dunning para compreender o lazer na reclusão.

O primeiro ponto é da tese do trabalho, como contraponto ao lazer, ou como elemento constituinte fundamental para existência do lazer (DUMAZEDIER, 1979). Nesta posição o preso por não trabalhar não possui lazer. Uma rápida leitura do modelo habermasiano permite compreender as relações de trabalho em uma lógica diferente da de Dumazedier.

Para Almeida (2003b), a partir das teses habermasianas, o trabalho e o lazer encontram-se em estruturas sociais distintas. Enquanto o trabalho encontra-se no Sistema dinheiro e poder, o lazer está no Mundo da Vida (espaço de relações intersubjetivas). O Sistema agrega as ações do tipo estratégico, isto é, ações egocêntricas no qual o ator social age para conseguir algo, deste modo ele não prioriza o consenso, as ações são voltadas para ganhos pessoais, não importando as regras normativas e o outro, apenas a vontade egoísta. Diferentemente do Mundo da Vida, pois o Mundo da Vida concebe a totalidade de relações pessoais através da comunicação, representa o respeito às normas e às formas subjetivas de convivência com seus pares. Assim o trabalho, ou, o não trabalho no presídio, não é um fator limitante do lazer. Pois, o que define lazer é o Mundo da Vida não o Sistema. Para Habermas (1987) todas as formas de relacionamento, como o lazer que é considerado uma forma de interação sócio-cultural, se orienta pelo Mundo da Vida.

O segundo ponto refere às atividades dos presos como recreativas e não de lazer. O lúdico e o prazer, como vimos anteriormente nas discussões de Gutierrez, são os elementos fundamentais para a constituição do lazer e recrear-se parte também deste pressuposto. Esta separação é ligada ao ranço do poder do trabalho no lazer, construído, principalmente, para segregar as atividades recreativas no labor, isto é, com o referencial teórico direcionado para o trabalho há uma grande dificuldade em interpretar as atividades desenvolvidas no próprio trabalho, seja relaxamento, ou campeonatos operários, enfim, os limites do que é ou não lazer são tênues. Inserindo a escola nesta discussão, o paradigma do trabalho torna-se ainda mais complicado, seria lazer as atividades extra-classe? Por estas dúvidas os autores que discorrem sobre a dicotomia lazer e trabalho, criaram a categoria “recreativa” para definir este elo tênue entre o lazer e trabalho, ou um meio-termo. Por isso as atividades de lazer no presídio poderiam ser consideradas como recreativas segundo estes mesmos autores. Como o lazer não é definido como contraponto ao trabalho e sim pelo mundo das relações e da sociabilidade espontânea (Mundo da Vida), não é possível usar esta definição para o lazer dos presos.

Quanto às teorias do fim do trabalho, apesar do prazer, ou sua necessidade, estarem nas teorias de Habermas, segundo interpretação de Gutierrez e Almeida, e na de Elias e Dunning, existe uma diferença fundamental. Enquanto Gutierrez e Almeida têm como perspectiva uma sociedade de conflito, Elias e Dunning apontam para uma sociedade harmônica através das práticas de lazer. Para Gutierrez e Almeida a busca do prazer passa pelo conflito do princípio do prazer versus o princípio da realidade (Neurose), pelas normas construídas no coletivo e pelos símbolos compartilhados no mundo da vida, no qual o sujeito deve ser integrado para viver em comunidade. Do outro lado, Elias e Dunning apontam para um aspecto utilitarista do lazer. Isto é, o lazer serviria como elemento que permite aflorar as pulsões e ações reprimidas pelo ordenamento contemporâneo. Sua forma, construída pela sociedade moderna, alivia as tensões que a sociedade urbanizada impõem para vivermos em sociedade. O lazer parte de um pressuposto harmônico ou de tender a uma harmonia sistêmica.

O processo histórico que integra o lazer e prazer é compreendido pelas práticas simbólicas e constituição de uma comunidade organizada em qualquer tempo e lugar, a interpretação deste artigo acerca do lazer parte desta construção coletiva. Diferentemente deste referencial, se utilizássemos Elias e Dunning, as atividades de lazer dos presos não representariam os papeis da cultura delinqüente, mas sim uma forma de aliviamento das pulsões, mas como pensar em aliviamento se estes indivíduos estão no cárcere justamente por não ter internalizado as regras que regem o coletivo. Fica no mínimo incoerente apoiar-se neste referencial para a análise do sistema prisional e lazer dos presos.

Quanto as teorias de lazer pós-modernas, apesar delas se aproximarem de um sujeito hedonista e permitir o lazer dos presos no plano metodológico, elas não discutem o lazer macro-social como Habermas (Almeida, 2003b). Recorrendo as teorias pós-modernas não haveria avanço na análise do presídio já que qualquer tema pode ser pulverizado e encaixado. A idéia pós-moderna não é ter uma metodologia clara ou marco conceitual único. Este trabalho pretende utilizar o presídio para ampliar conceito de lazer, que, a partir desta análise, poderia ser reportado para outras esferas sociais, o que não ocorreria se utilizássemos as teorias pós-modernas.

Por isso trabalhou-se, para a análise do lazer dos presos(1), com teorias que valorizassem diferentes instituições: as normativas, sociais, simbólicas, juntamente com a possibilidade de projeção do agente social nelas. Assim, as dificuldades metodológicas existentes nas teorias ligadas ao trabalho e obrigações deixam de existir. As atividades no pátio, mesmo em um espaço e tempo limitado, as organizações de festas internas, os campeonatos de diferentes modalidades coletivas, mostram o todo orgânico do espaço de reclusão. Entendendo que o sujeito inserido no sistema prisional não perde seu caráter histórico, humano e transformador, e o lazer no presídio é característico pela formação social presente em qualquer meio social organizado.

As teorias prisionais, resumidamente, referem-se ao presídio como local de efervescência da delinqüência, de reprodução da violência, um local estanque da sociedade livre que não existe qualquer troca simbólica, qualquer possibilidade de comunicação e formação de grupos de amizade e muito menos possibilidade de lazer. Goffman (1996) e Foucault (1986) compartilham com este quadro teórico apresentado. Nestes termos, os autores não entendem o apenado como única e exclusivamente privado de liberdade. Este sujeito encarcerado, segundo a análise habermasiana, não deixa de ser humano quando preso, conseqüentemente, o mundo do encarcerado não é um local estanque da sociedade livre e não somente reproduz-se a violência no presídio2. O preso é histórico, transformador e comunicativo, buscando auferir prazer como qualquer outro, por isso existe o lazer no presídio e o lazer na reclusão determina a situação do preso e grupo que o sujeito representa, fazendo, desta maneira, parte da cultura prisional. “Trabalhar na prisão é principalmente uma forma de ser bem-visto pela administração, diminuir a pena, e, ainda, uma maneira, a lado de jogos, televisão, futebol, de matar o tempo” (GOIFMAN, 1998 p.214).

Neste sentido, as atividades que reproduzem o ilícito, no caso o carteado, os jogos de azar, a homossexualidade, o consumo de drogas, são características do lazer de um grupo em um certo contexto, pois o lazer é entendido pela busca do prazer, não havendo, portanto, nenhuma forma de lazer que não buscasse auferir prazer. E este prazer, que pode ou não ser efetivamente consumado, é um elemento essencialmente humano, característico da formação da personalidade e presente em qualquer meio social organizado, desde uma perspectiva histórica (GUTIERREZ, 2001).

Lazer e presídio pela Teoria da Ação Comunicativa

O lazer é entendido pela busca do prazer, que pode ou não ser consumado, pensando o agente como histórico e dotado de razão, que segue suas vontades, seus símbolos e padrões culturais, ou suas ações restritas às sanções e normas sociais (GUTIERREZ, 2001). Isto é, o lazer está no mundo da vida e tem como limite as normas do grupo, a sociedade e a ação do indivíduo. As atividades de lazer caracterizam-se por uma liberdade relativa de opção, pela percepção individual e subjetiva da expectativa de prazer e pela autonomia e responsabilidade do agente sujeito da ação social. Isto coloca grande parte das manifestações do objeto lazer no campo da sociabilidade espontânea, ou informal, compreendida aqui como espaço de interação distinto dos sistemas organizados formalmente, ou burocratizados, a exemplo das dimensões políticas e econômicas, definidas por Habermas como sistemas dirigidos pelos meios poder e moeda. (GUTIERREZ, 2001).

Um importante avanço nas teorias do lazer, foi dado por Gutierrez (2001) ao relacionar o lazer à busca pelo prazer. Este prazer encontra-se no mundo da vida, no mundo das relações pessoais e da cultura. Esta ferramenta possibilitou entender o fator histórico-social do lazer que é próprio do humano, isto é, a busca social pelo prazer é própria de qualquer tempo e lugar, tem características na formação cognitiva humana e por isso é determinado historicamente. O lazer por estar no mundo da vida e das relações representa o arsenal do saber humano e não é restringido pelo trabalho. Portanto, as práticas de lazer dos presos não possuem somente uma formação de fora imposta pelo governo, mas suas práticas superaram as imposições institucionais e são desenvolvidas por um conjunto de ritos e símbolos próprios da reclusão. Isto é, o lazer dos reclusos reflete a cultura da penitenciária e é parte integrante do arsenal simbólico da reclusão.

Neste caso o lazer associa-se às regras intramuros, aos códigos internos peculiares ao sistema prisional, ao espaço totalitário, à concentração de poder e à vigilância constante (FOUCAULT, 1986). Estas afirmações provocam um afastamento da idéia de lazer voltado a transformação social e a reabilitação.

O lazer interpretado por uma leitura romântica é associado à educação e às regras morais aceitas pela sociedade, afirmo, diferentemente desta perspectiva educadora, que o lazer não é sinônimo de educação e da pedagogia (ALMEIDA, 2003a), o lazer expressa as regras de um grupo, associado à sua perspectiva histórica e cultural, onde os agentes sociais dotados de razão, segundo Habermas (1987), são responsáveis por suas ações sociais.

O lazer expressa a prisionização (AMORIM, 1993) e os valores da “sociedade dos cativos” (PAIXÃO, 1987 p.42): “Essa ‘sociedade dentro da sociedade’ nasce do isolamento da massa carcerária e constitui meio propicio para processos de conversão de internos em uma perspectiva criminosa.

Por isso o lazer integra-se a este “estilo” de vida, que pode ser resumido pela aceitação de papel inferior, desenvolvimento de novos hábitos, adoção do linguajar local e sempre buscar um “adiantamento”. Este processo não ocorre somente ao detento, mas às pessoas que trabalham nos espaços de reclusão por conseqüência, criando em seu invólucro tendências próximas deste sentir o poder e a submissão do outro. Por este motivo, há a proliferação do ilícito na relação entre presos e instituição, tendo como fim a liberdade e a recuperação ou, no mínimo, amenizar sua “estada” na reclusão. Em um sistema totalitário com regras próprias, o detento necessita se integrar para a sua sobrevivência (PAIXÃO, 1987). Neste sentido percebe-se a dificuldade da reabilitação, porque os hábitos transitam em dois sentidos antagônicos: o primeiro é a reabilitação pela submissão; o outro é a reincidência.

A partir desta análise entenderemos o lazer dos presos através do fenômeno da prisionização, pois o lazer é incorporado na prisionização e integra-se a partir das normas do grupo. As atividades desenvolvidas pelos presos refletem uma ótica a partir do ilícito pela lei e sociedade, onde ocorre a reprodução de um certo tipo de linguagem e modos de relacionamento interno. No caso, fala-se “das leis dos cativos” entre os cativos.

“Esses mesmos rituais e normas institucionais reforçam os laços de dependência e passividade constituídos nas prisões, estimulando dessa forma a reincidência criminal e, por essa via, fazendo com que a única existência possível seja a do intramuros institucional” (ADORNO, 1998 p.1027).

O código interno dos detentos é peculiar (um amplo arsenal cultural que é desenvolvido entre os presos devido a sua situação). Esta construção do código cativo serve de ferramenta para o entendimento, a segregação, a construção e/ou proteção das relações entre detentos e instituição. Deste modo, o lazer do preso é prisionizado e as características discutidas do prazer, do lúdico e do indivíduo, deverão ser intermediadas com o intuito de decodificar os códigos presentes no espaço de reclusão. Aproximando o lazer encarcerado ao lazer do encarcerado. Isto é, todas as atividades desenvolvidas passam por um filtro simbólico dos detentos que necessariamente reproduzem a sua linguagem, os seus ritos e as formas de poder e submissão, tanto entre os detentos e instituição como entre eles.

Por exemplo, a homossexualidade que é gerada também por um “tráfico do sexo masculino”, onde novos presos funcionam como mercadorias, raspando seu corpo; ou então as visitas que mantém um ciclo de tráfico de materiais; ou o carteado; os jogos de azar; o futebol; as atividades físicas e outras não obrigatórias que se inserem, integram e interagem com o sistema prisional (COELHO, 1987) são tipos de lazer. Todas estas atividades, apesar de reproduzirem o ilícito, são formas de lazer, que não pretendem reflexivas ou mesmo transformadoras, apenas reproduzem dentro deste contexto “sociedade dos cativos” os valores e normas existentes fora dele.

Todas estas atividades no presídio como: carteado, futebol, atividades físicas, jogos ilícitos, jogos de mesa, uso de drogas, assistir televisão, fazer tatuagens e a prática sexual são lazeres e têm um grande papel na cultura da prisão. São as atividades de lazer que definem o grupo que controla a prisão “malandragem” e os subjugados (JOCENIR, 2001). Outro motivo é referente à atividade de lazer como controle da massa encarcerada por parte dos agentes penitenciários, porque as primeiras sanções coletivas atuam diretamente nas atividades de lazer (GOIFMAN, 1998), como: proibir a televisão, o horário de pátio e as visitas.

O lazer do recluso é determinado pelos padrões de convivência do preso, juntamente com as relações no mundo da vida. O lazer e o ilícito seguem lado a lado na formação da sociedade dos cativos. Posso afirmar que o lazer estudado no presídio se relaciona às regras dos cativos na instituição prisional, conjuntamente às manifestações do objeto lazer nos espaços de interação e sociabilidade espontânea, suas ações integram-se à cultura prisional, como já foi apontado. Por conseguinte, o lazer, o ilícito, a prisão e o preso unem-se para formar os padrões e normas culturais do agrupamento dos indivíduos na reclusão. Definindo o lazer do preso a partir dos pressupostos de convivência e relação com o mundo externo, como também as peculiaridades intramuros e a vontade do ser humano para satisfazer sua necessidade de busca do prazer.

O lazer no presídio existe, não pode ser negado. Considerar a inexistência do lazer na reclusão é concordar que o preso esta fora das relações sociais, e que o encarceramento não pertence ao agrupamento contemporâneo, estando estanque à sociedade.

Deve-se ter em mente que o presidiário vêm da sociedade livre, com todas as regras de convivência incorporadas (2) o lazer faz parte do seu cotidiano e é expresso e construído no mundo da vida. Afirmar que não existe o lazer na penitenciária é dizer que o recluso ao entrar no presídio retira toda a sua vivência no mundo social (como uma roupa) e incorpora as novas regras intramuros (vestindo a nova roupa, para utilizar a mesma metáfora), o que não é verdade (ALMEIDA, 2003a).

O cárcere não está separado das ações sociais e dos símbolos coletivos, Albuquerque (1980) na sua crítica aos estudos de Goffman, afirma que o autor discute a relação dos internos através da unilateralidade da formação dos símbolos das instituições totais, sem intermediação das normas compartilhadas pela totalidade do coletivo.

A busca de um corpo ideal na musculação no presídio mostra-nos que os presos não estão aquém da cultura do culto ao corpo, eles possuem televisão e trazem consigo os atributos estéticos da cultura “livre” (Almeida, 2003a). Outra interpretação é ver as visitas como elo de ligação do mundo externo, a liberdade, a lembrança ao passado e a infância (Almeida, 2003a). Por último o RAP, ele é um bom exemplo desta alusão ao mundo externo, nas músicas os presos descrevem a vida na prisão como o cão, valorizam os amigos, a família e o distanciamento das drogas, como também o afastamento do crime. Esta valorização do mundo da vida nos mostra como os presos se reportam aos valores intersubjetivos da sociedade livre.

Todos estes exemplos mostram que a “sociedade dos cativos” é construída na reclusão sim, mas com pessoas um dia livres e que minimamente têm acesso aos bens culturais de fora, seja nas visitas, na televisão, com os carcereiros ou com a entrada de novos presos. Como esclarecido, as regras intramuros, ou melhor, a incorporação dos hábitos locais e definição do indivíduo com seu entorno, não é ato típico da reclusão, mas faz parte da forma de construção da linguagem e dos símbolos que compõem a nossa sociedade (HABERMAS, 1989). Lembrando também que as regras valorizadas na prisão são construídas no mundo da vida, pois a reclusão é a manifestação palpável das normas legitimadas por um coletivo. O presídio representa a evolução sistêmica das normas sagradas e a dicotomia com o profano, tendo um relacionamento próximo com o mundo da vida.

  1. Discussão feita a partir da análise das instituições prisionais brasileiras, de uma ampla bibliografia exploratória e à pesquisa de campo.
  2. VIANA,I.F

Maria Selma: mesmo depois de presa, crueldade

Eram 8h32m de 22 de maio quando Maria Selma Costa dos Santos fez a primeira ligação do seu último dia em liberdade. Telefonou para o motorista. Em seguida, para o segurança. Ela queria se certificar de que os funcionários chegariam no horário, porque tinha programado uma viagem a Petrópolis, às 9h. Acabou saindo de casa num carro da 59ª DP (Caxias), a caminho da prisão.

Antes de sair, recebeu uma ligação. Do outro lado da linha, estava a diarista Maria José da Silva Irmã. Com a voz ofegante, disse que se encontrava na delegacia e pediu que a patroa avisasse o marido dela. Em tom frio, Maria Selma respondeu que estava com a polícia, como se a notícia da prisão fosse insuficiente para afetar a firmeza com que costumava falar.

E se queixou. Não por ter a viagem a Petrópolis frustrada. Na frente dos policiais, encenou uma representação pouco convincente de uma idosa com a saúde debilitada, que não poderia mais ir ao médico. Era o fim de um tormento de testemunhas, entre familiares, vizinhos e funcionários, que viviam uma rotina de intimidações e ameaças, com depoimentos supervisionados por um advogado a serviço de Maria Selma.

Mas não era o fim das conversas telefônicas, grampeadas com autorização judicial para solucionar um crime que chocou o país: a execução de um empresário, morto a tiros na frente da casa da mãe, no Centro de Duque de Caxias, acusada de pagar R$ 20 mil pelo assassinato.

Depois de presa, Maria Selma falou com familiares, com um advogado e com a mãe de santo identificada como Cida. Enquanto familiares reagiam com consternação, a idosa não perdia a tranquilidade e a forma enérgica de falar. Mesmo cercada por fotógrafos na delegacia, tinha em mente a mesma preocupação que a teria motivado a planejar a morte do próprio filho: dinheiro. Só queria que fossem recuperados os R$ 147 mil apreendidos pela polícia na sua casa.

O trabalho da polícia

Mais de 6 mil escutas

A polícia teve acesso a mais de 6 mil conversas telefônicas autorizadas pela Justiça durante três meses para solucionar o assassinato do empresário José Fernandes dos Santos Reis, na tarde de 29 de novembro do ano passado. Mas foi a confissão da diarista Maria José da Silva Irmã que incriminou a idosa.

Prisão preventiva

As três pessoas acusadas de participação no crime foram presas temporariamente no dia 22 de maio deste ano, pela 59ª DP. Na última terça-feira, a 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, decretou a prisão preventiva do trio por homicídio qualificado.

A investigação

Mesmo após as prisões, a polícia seguiu com as investigações e, agora, tenta obter a quebra do sigilo telefônico. Desta vez, o alvo da polícia é o segurança de rua Isaque Paula de Moraes. A polícia quer saber se ele contou com a participação de comparsas no crime.

Testamento falso?

A polícia investiga se um testamento que daria autonomia a Maria Selma encontrado na casa dela foi falsificado.

Marido desconhece

A suspeita surgiu após o depoimento do marido dela, José Geraldo dos Santos Reis, o Cazeca, de 91 anos. Ele disse que desconhece ter assinado um testamento. Se o crime for comprovado, Maria Selma também será indiciada por falsificação de documento público.

Mãe teria pago milícia para matar seu filho

Maria Selma: idosa está presa há um mês pelo assassinato do filho

Mais uma vez, os grampos telefônicos podem ajudar na investigação da morte do empresário José Fernandes dos Santos Reis, executado a tiros na frente da casa da mãe, no Centro de Duque de Caxias, na tarde de 29 de novembro do ano passado. Para Investigar a suposta participação de milicianos no crime, a polícia solicitou ontem à Justiça a quebra do sigilo telefônico de Isaque Paula de Moraes, de 22 anos, acusado de ter cometido o crime por R$ 20 mil — pagos pela mãe da vítima, Maria Selma Costa dos Santos, acusada de encomendar o assassinato.

A polícia irá investigar uma informação anônima, fornecida pelo Disque-Denúncia (2253-1177), sobre uma possível participação no crime de três integrantes da milícia que atua no Parque Fluminense, bairro de Duque de Caxias onde Isaque trabalhava como segurança de rua. A denúncia dava os apelidos dos milicianos: Mamute, Cacalino e Lagarto.

— Pedimos a quebra do sigilo telefônico para fazermos o cruzamento de dados para tentar identificar os outros autores — adiantou o delegado Márcio Esteves, da 59 DP (Duque de Caxias), responsável pela investigação do assassinato.

A principal hipótese da polícia, até agora, é que o crime foi cometido por Isaque, no carona de uma moto e com o apoio de outros dois comparsas. Além de Isaque, a polícia prendeu, há um mês, Maria Selma, de 70 anos, e a diarista Maria José da Silva Dias Irmã, acusada de pagar os R$ 20 mil a Isaque pelo crime.

Na última terça-feira, a 4 Vara Criminal de Duque de Caxias decretou a prisão preventiva dos envolvidos.

Mãe acusada de matar o filho ameaçava testemunhas do crime

Maria Selma foi presa temporariamente, acusada de encomendar a morte do filho

Magra e de baixa estatura, Maria Selma Costa dos Santos, de 70 anos, possui um biotipo frágil. Mas tinha atitudes e hábitos que causavam calafrios naqueles que conviviam com ela.

Não esboçou reação de dor no enterro do filho, o empresário José Fernandes dos Santos Reis, morto a tiros na tarde de 29 de novembro de 2011, na Rua José de Alvarenga, Centro de Duque de Caxias. Apenas se aproximou do caixão, olhou para o filho e voltou a sentar, sem as lágrimas que costumam acompanhar o sofrimento de uma mãe que perde um filho.

A frieza no enterro reforçou as suspeitas de quem achava que ela estava por trás do crime, ocorrido no momento em que o filho saía do escritório montado na casa onde ela morava. Mas não houve quem ousasse enfrentá-la. Vizinhos e empregados chamados à delegacia eram ameaçados, caso expusessem as brigas entre Maria Selma e o filho. Depois, eram orientados pelo advogado dela e entregavam cópias dos depoimentos à idosa, que construía um dossiê próprio.

Com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a polícia registrou diálogos em que Maria Selma dizia se sentir acuada pelo depoimento de uma enfermeira, capaz de relatar como era a convivência dela com o filho morto.

A enfermeira foi contratada cinco meses antes do crime para cuidar do marido dela, José Geraldo dos Santos Reis, conhecido como Seu Caseca. Aos 91 anos, o idoso estava com a coluna fraturada, abaixo do peso e em condições precárias de higiene — na época, só tomava banho a cada 15 dias, quando uma das filhas ia visitá-lo.

Dinheiro ligava a família

O ambiente era impessoal. Quem convivia no casarão de cinco quartos da Rua José de Alvarenga, que virou cena de crime, garante que o dinheiro era o único elo familiar. Segundo pessoas próximas, só pai e filho tinham uma relação de carinho. Aliás, a casa virou motivo de briga entre mãe e filho. Fernandes queria pagar para passar o imóvel para o seu nome. A mãe não queria.

Na pior das brigas, a mãe acusou o filho de ladrão. Revoltado, ele disse que a agrediria, se ela fosse homem. O desaforo feriu o orgulho de mãe, atingindo a armadura emocional que ela gostava de exibir. Maria Selma passou a chorar. Dizia que a relação com o filho já tinha sido boa. Mas que ele iria pagar.

Fragilizado, Seu Caseca decidiu deixar a casa. Alheio às ameaças da mãe, Casequinha — como a vítima era conhecida na família — levou o pai para o seu apartamento na Barra, Zona Oeste do Rio, um mês antes de morrer.

Abandonada, Maria Selma passou a arquitetar a morte do filho para administrar o patrimônio milionário da família. Porque ele foi o único que ousou enfrentá-la. Após a morte de José, Maria Selma se mudou para uma cobertura da família, na mesma rua. E nunca mais colocou os pés na casa.

HISTÓRIAS DA IDOSA

Briga pelo patrimônio - Maria Selma orientou o advogado a levantar os bens da família, que tinha mais de 30 imóveis, em Duque de Caxias e em áreas nobres do Rio. Ela estava descontente com a expansão dos negócios do filho, que administrava o patrimônio da família e só prestava contas ao pai.

Hábitos estranhos - Maria Selma costumava fumar até dois maços de cigarro por dia. Na maioria das vezes, na varanda da casa da família. E tinha o estranho hábito de encher pelo menos cinco potes de iogurte com as cinzas. O curioso é que ela guardava os potes em cima da pia da cozinha.

Armas na cintura - Quando discutia, Maria Selma gostava de repetir uma história. Dizia que, certa vez, funcionários da prefeitura iriam tomar posse de um terreno da família. E, na ocasião, ela $ao local com duas armas na cintura, para impedi-los. Nenhum familiar desmentiu a história.

Passado suspeito - Um crime, ocorrido há mais de 30 anos, era tido como um mistério familiar. Na época, a família não aprovava um namoro da caçula de Selma, que tinha apenas 15 anos. O namorado foi morto a tiros, na porta de casa. A autoria do crime nunca foi desvendada.

 

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/mae-acusada-de-matar-filho-ameacava-testemunhas-do-crime-5029096.html#ixzz1ykNv8BFF

Diante da origem do mundo, ela deu um grito

 Muitos anos atrás, não sei precisar quantos, deparei-me com o quadro A origem do mundo (L’Origine du Monde, 1866) e me encantei. Nele, o francês Gustave Courbet pinta uma vagina. Cheguei a ela desavisada e fui tomada por uma sensação profunda de beleza. Forte o suficiente para sonhar, deste então, com a compra de uma reprodução, um plano sempre adiado. Quando passei a trabalhar em casa, há dois anos, desejei ainda mais ter o quadro na parede do meu escritório, onde reúno tudo aquilo que me apaixona em um pequeno universo perfeito e só meu. No último aniversário, em maio, meu marido me deu a reprodução de presente. Só na semana passada, porém, o quadro chegou da vidraçaria onde fez escala para receber moldura. Então, algo inusitado aconteceu. 

Ouvi um grito:

- É o fim do mundo!

Eu estava no quarto e saí correndo, alarmada, para ver o que tinha acontecido. Encontrei Emilia, a mulher que limpa nossa casa uma vez por semana, com o rosto tomado por um vermelho sanguíneo, diante de A origem do mundo, que, ainda sem lugar na parede, jazia encostado em um armário.  

- É o fim do mundo! – gritava ela, descontrolada. – Nunca pensei ver algo assim na minha vida! Eliane, que coisa horrível!

Meio atordoada, eu repetia: “Não é o fim do mundo, é o começo!”. E depois, sem saber mais o que fazer para acalmá-la, me saí com essa estupidez: “É arte!”. Como se, por ser “arte”, ela tivesse de ter uma reação mais controlada, quando é exatamente o oposto que se espera. Beirando o desespero diante do desespero dela que eu não conseguia aplacar, apelei: “Mas, Emilia, metade da humanidade tem vagina – e a humanidade inteira saiu de uma vagina! Por que você acha feio?”.

O fato é que, para Emilia, era o fim do mundo – e não o começo. Tentei fazer piada, mas percebi que a perturbação não viraria graça. A questão para ela era séria – e ela só não pedia demissão porque trabalha há 12 anos comigo e temos um vínculo forte. Naquele dia, Emilia despediu-se incomodada e passei a temer que talvez ela não suporte olhar para o quadro a cada quinta-feira.

Por que Emilia, uma mulher adulta, que me conta histórias escabrosas da vida real, se horrorizou com a visão de uma vagina? Por que eu me encantei com a visão de uma vagina? Quando vivo uma experiência de transcendência, em geral eu não quero saber sobre a história da pintura que a produziu, porque temo perder aquilo que é só meu, a sensação única, pessoal e íntima que tive com aquela obra. É uma escolha possivelmente besta, mas faz sentido para mim. Por isso, eu quase nada sabia sobre “A origem do mundo”, para além do fato de que eu a adorava. Só no ano passado, ao ler um pequeno livro sobre um dos grandes nomes da história da psicanálise, o francês Jacques Lacan, soube que ele foi o último dono da pintura. Nos anos 90, sua família doou o quadro para o Museu D’Orsay, em Paris, onde está desde então. 

Graças ao estranhamento de Emilia, transtornada que foi pela experiência artística quando se preparava para passar o pano no chão, fui levada a um percurso inesperado. Descobri que A origem do mundo causa escândalo desde que foi pintada. E agora quem está horrorizada sou eu, mas pela ausência de horror em mim diante do quadro. Por quê? Por que eu não sinto horror? O que há de errado comigo que não sinto horror?, cheguei a me perguntar. De repente, nossas posições, a minha e a de Emilia diante do quadro, inverteram-se. Eu, que não compreendia o horror dela, passei a suspeitar do meu não horror.

Eis uma breve trajetória da obra. A origem do mundo foi encomendada a Courbet, um pintor do realismo, por um diplomata turco chamado Khalil-Bey. Colecionador de imagens eróticas, ele pediu um nu feminino retratado de forma crua. E Courbet lhe entregou um par de coxas abertas, de onde despontava uma vagina após o ato sexual. A obra teria sido instalada no luxuoso banheiro do milionário, atrás de uma cortina que só se abria para revelar o proibido para uns poucos escolhidos. Khalil-Bey teria perdido a pintura em uma dívida de jogo, momento em que a tela passa a viver uma série de peripécias. 

O quadro teve vários donos e, ao que parece, todos o escondiam atrás de uma cortina ou de uma outra pintura. Na II Guerra Mundial, algumas versões afirmam que chegou a ser confiscado pelos nazistas do aristocrata húngaro ao qual pertencia. Em seguida, passou uma temporada nas mãos do Exército Vermelho. Até que, após uma acidentada jornada, em 1954 foi comprado por Lacan e instalado na sua famosa casa de campo.

Até mesmo Lacan, um personagem pródigo em excentricidades e sempre disposto a chocar as suscetibilidades alheias, ocultava o quadro com uma outra pintura, encomendada ao pintor surrealista André Masson com esse objetivo. Como uma porta de correr, esse “véu” retratava uma vagina tão abstrata que só um olhar atento a adivinhava. Apenas visitantes especiais ganhavam o direito de desvelar e acessar a vagina “real”. Segundo Elisabeth Roudinesco, a biógrafa mais notória de Lacan, o psicanalista gostava de surpreender os amigos deslocando o painel. Anunciava então “A origem do mundo”, com a seguinte declaração: “O falo está dentro do quadro”. Boa parte dos intelectuais apresentados à tela ficava, como Emilia, bastante incomodada.

Por quê? 

Que há algo perturbador no órgão sexual feminino não há dúvida. Até nomeá-lo é um problema. Vagina, como tenho usado aqui, parece excessivamente médico-científico. É como pegar a língua com luvas cirúrgicas. Boceta ou xoxota ou afins soa vulgar e, conforme o interlocutor, pejorativo. É a língua lambuzada pelo desejo sexual – e, por consequência, também pela repressão. Não há distanciamento, muito menos neutralidade possível nessa nomeação. É uma zona cinzenta, entregue a turbulências, e a palavra torna-se ainda mais insuficiente para nomear o que Courbet chamou de “A origem do mundo”. Para Lacan, “o sexo da mulher é impossível de representar, dizer e nomear” – uma das razões pelas quais teria comprado o quadro.

Em busca de respostas para o horror de Emilia, que, por oposição, revela o meu não horror, naveguei por algumas interpretações do quadro – e da perturbação gerada por ele. Jorge Coli, historiador, crítico de arte e autor de um livro sobre Courbet para a editora francesa Hazon, assim comentou sobre A origem do Mundo, em um artigo publicado em 2007: “Parece-me a radicalização do processo de transformar a mulher em um objeto orgânico, pois ele esconde a cabeça (pensante) e os braços e pernas (elementos da ação). Vemos a ponta do seio e, sobretudo, o sexo”. Coli assinala que uma das questões do século XIX era a ameaça do desejo contida no feminino. Inerte, entregue à contemplação, a mulher não ameaçaria.

Em algumas manifestações escandalizadas, o fato de Courbet ter “reduzido” a mulher a um pedaço da anatomia foi considerado uma afronta. Uma mulher sem cabeça, sem braços, sem história. A pintura chegou a ser definida pelo escritor e fotógrafo francês Maxime Du Camp como um “lixo digno de ilustrar as obras do Marquês de Sade”. Análises mais psicanalíticas explicam o horror de quem olha pela castração. Diante do espectador, entre as coxas abertas da mulher se revelaria a ferida aberta, a falta, a impossibilidade de ser completo. As mulheres se horrorizariam pela constatação da castração, os homens pelo temor a ela. Se alguns olhares produzem pistas, outros reforçam apenas o incômodo que a obra produzia.

O efeito do quadro já foi tentado em fotografias de mulheres, em geral prostitutas, colocadas na mesma posição, mas o resultado revelou-se diverso. Ao transpor para a fotografia, não é mais a imagem de Courbet, mas outra. Até que, em 1989, uma artista francesa, Orlan, fez algo marcante – e com grande potencial para gerar polêmica – a partir da obra original. Ela reproduziu a pintura trocando a vagina por um pênis – ou a boceta por um caralho. E chamou-a de A origem da guerra. Olhar para essa imagem causa um estranhamento, especialmente porque a posição, deitada de costas, é muito mais íntima da mulher do que do homem. O pênis, no caso, se oferece ereto ao olhar, mas a partir de um corpo na horizontal, entregue.

É instigante, desde que a provocação não seja reduzida a um feminismo indigente, banalizado pela crença pueril do “a mulher gera a vida, o homem a morte”. A intenção de Orlan, segundo Roudinesco, era bem mais refinada. Ela “pretendia desmascarar o que a pintura dissimulava, realizando uma fusão da ‘coisa’ irrepresentável com seu fetiche negado”. Reivindicava então a “imprecisão do gênero e da identidade” que marca o nosso tempo, anunciando, por sua vez: “Sou um homem e uma mulher”.

O que se pode afirmar é que Courbet revelou o que está sempre coberto, oculto, escondido. No Carnaval brasileiro, por exemplo, como lembra a psicanalista Maria Cristina Poli em um artigo interessante sobre o feminino, tudo é exposto – e até superexposto – do corpo da mulher, menos a vagina. Mas a força do quadro não está só no “mostrar”. Há algo de incapturável e único na forma como Courbet mostrou o “imostrável”, já que a transposição da imagem para a fotografia não causa o mesmo efeito. E o que é?

Não sei.

A vagina pintada por Courbet é peluda como não vemos mais nos dias de hoje. A depilação quase total do sexo feminino tornou-se um popular produto de exportação do Brasil. Tanto que virou um dos significados da palavra “Brazilian” no renomado Dicionário Oxford: “Estilo de depilação no qual quase todos os pelos pubianos da mulher são retirados, permanecendo apenas uma pequena faixa central”. Pelo visto, a partir dos trópicos supostamente liberados e sexualizados, a vagina depilada virou um clássico contemporâneo.

Este é um ponto interessante. Ao primeiro olhar, a extração dos pelos serviria para revelar mais a vagina, mas me parece que este é mais um daqueles casos, bem pródigos na nossa época, em que se mostra para ocultar – a superexposição que ofusca e cega. A vagina sem pelos é uma vagina flagelada – e arrancar os pelos com cera é mesmo um flagelo. É também uma vagina infantilizada pela força. E é ainda uma vagina esterilizada, já que vale a pena lembrar que no passado recente essa depilação agressiva só acontecia nos hospitais para, supostamente, facilitar o parto. “Se não depilo totalmente, me sinto suja”, disse-me uma amiga. Suja?

Em janeiro de 2000, a atriz Vera Fischer exibiu sua vagina peluda em um ensaio fotográfico da revista Playboy. Causou furor. Falou-se na “Mata Atlântica”, na “Amazônia”, na “selva” onde sempre é perigoso penetrar. Havia algo de poderoso e incontrolável na vagina em estado “natural” de Vera Fischer, e a polêmica se fez. Era uma mulher não domesticada ali. Uma mulher adulta.

Não me parece – e nunca saberemos se tenho razão – que, se Courbet tivesse pintado uma vagina careca, ela teria causado tanto o horror de Emilia quanto o êxtase em mim. A vagina pintada por Courbet é uma vagina que revela. Mas o quê?

Não sei. A maravilha da arte é que ela nos transtorna sem a menor intenção de nos dar respostas – muito menos caminhos a seguir. A arte é sempre labiríntica. Não há sentimentos “certos” ou “errados” diante da expressão artística, há sentimentos apenas. Movimentos. Que nos levam por aí, aqui. É em respeito a essa ideia que decidi não colocar nenhuma imagem do quadro aqui, nem mesmo um link – ou um atalho – para a imagem na internet. A busca da origem do mundo é pessoal e intransferível. Assim como a decisão de buscá-la.

A obra de Courbet sempre foi oculta por uma outra pintura. Ou cortina. Exceto agora, que a exibição no museu deu a ela uma espécie de salvo-conduto, por ser ali “o lugar certo”. De algum modo, até então, a vagina mais famosa da História da Arte fora coberta por um véu – além do véu representado pela própria pintura.

Decidi não cobrir minha reprodução de A origem do mundo com uma burca. Vamos ver o que acontece.  

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

Uma mulher de 30 anos foi presa na madrugada desta quinta-feira (3) suspeita de tentar matar os filhos de sete e nove anos, em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Militar (PM), por meio de uma denúncia anônima, os vizinhos relataram que uma criança gritava por socorro.

Ao chegar ao local, as crianças estavam sendo agredidos na rua pela mãe com mordidas e pedradas, informou a PM. A mulher foi presa em flagrante por tentativa de homicídio, segundo a polícia.

A polícia ainda informou que as crianças estavam com lesões pelo corpo e tiveram que ser encaminhadas para o Hospital de Pronto Socorro João XXIII (HPS), em Belo Horizonte. De acordo com a PM, a suspeita foi atendida em uma policlínica em São Joaquim de Bicas.

A PM disse também que o médico da unidade de saúde afirmou que a mulher pode ter problemas mentais. Ela foi levada para o Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam) em Betim, na Grande BH. No centro, um funcionário informou que ela foi transferida para uma unidade de assistência da prefeitura. O G1 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de São Joaquim de Bicas e aguarda retorno.

Neta agride avô de 79 anos com pedaço de madeira em MT, diz polícia

A denúncia à polícia foi feita pela mãe da suspeita e filha da vítima. Aposentado teve ferimentos no braço e foi levado ao Pronto-Socorro.

Uma jovem de 20 anos foi detida pela Polícia Militar suspeita de agredir o avô de 79 anos usando um pedaço de madeira nesta quarta-feira (19) em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. De acordo com informações da polícia, a vítima teve ferimentos no braço esquerdo e foi levada ao Pronto-Socorro Municipal para atendimento.

Ao chegar à residência da família, localizada no bairro Santa Luzia, no município, a mãe da suspeita informou que a filha e o avô estavam discutindo quando a jovem atacou o aposentado. A mãe disse ainda que a suspeita é usuária de drogas.

Comprovada a agressão, a polícia deu voz de prisão à suspeita e a encaminhou à Central de Flagrantes da Delegacia Municipal de Polícia Civil. Ainda segundo a polícia, ela deverá responder pelo crime de lesão corporal.

20/10/2011 09h16 – Atualizado em 20/10/2011 09h16

Mulher suspeita de esfaquear marido é denunciada pela filha, diz PM

Ela foi presa em flagrante na porta de casa, em Betim, na Grande BH. Homem ferido foi encaminhado para o hospital.Uma mulher foi presa em flagrante na porta de casa após esfaquear o marido na madrugada desta quinta-feira (20) no Bairro Parque das Acácias, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, a filha do casal foi quem ligou para denunciar que o pai teria sido esfaqueado pela mãe.A Polícia Militar em Betim informou que vizinhos relataram que o motivo da agressão foi uma discussão entre o casal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou socorro. Ele foi encaminhado para Hospital Regional de Betim com três facadas no tórax, informou a PM.Até o momento da publicação desta matéria, a assessoria de imprensa do hospital não havia informado o estado de saúde do homem ferido.A mulher foi autuada em flagrante na Delegacia de Plantão de Betim e depois levada para o Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) Centro-Sul de Belo Horizonte.

NEGRIARA

O Profissão Repórter desta terça, 19 de junho, faz um perfil das mulheres que cometem crimes. Veja o programa na íntegra nos vídeos ao lado.

Os repórteres Paula Akemi e Felipe Bentivegna mostram o Centro de Recuperação Feminina , único presídio feminino do Pará , onde 640 detentas dividem o espaço projetado para 500. Tráfico de drogas é o crime mais comum entre as presas. A reportagem mostra a situação de 12 presas grávidas que dividem oito camas no presídio e a desagregação familiar provocada pela prisão da mãe da família.
No fórum central do Rio de Janeiro, as repórteres Danielle França e Valéria Almeida acompanharam três julgamentos de mulheres acusadas de homicídio, furto e roubo. As acusadas são todas pobres e dependem de um defensor público para se defender perante o juíz.
Veja a reportagem sobre a fila no dia de visita em presídios de São Paulo.
Caco Barcellos acompanhou dois casos de homício, crime raramente cometido por mulheres. O de Elize Matsunaga, que mobilizou a polícia e a imprensa de todo o país, e o de Olinda, uma diarista de Capivari , que matou o marido com um facão, caso bem pouco divulgado. Os crimes tem circunstâncias parecidas: as duas mataram o marido por ciúme.

COMENTÁRIOS

Vanessa Giovanna
Eu penso assim,se não tivessem cometido nenhum crime,estariam em casa,e poderiam cuidar de seus filhos,não tenho dó,tenho dó dessas pobres crianças que não pediram para nascer,muito menos para suas mães cometerem o crime. 
Janete Muller 
Querido Caco Barcelos, estou certa de que a maioria das pessoas que assistiram o programa ontem ficaram se perguntando sobre o seu objetivo real. Caso tenha sido para revoltar o público: sucesso atingido. Mas e agora ? Qual é o plano ?? Será que se agirmos de dentro para fora, ou seja, cada um em sua família toma as ações e começa a conscientização no seu entorno basta ?, já que do macro ao micro (governo x povo) existe somente cegueira e intolerância ??? Meu coração de mãe chora por todos os abandonados !
Karina Pasquetto
Gosto muito desse programa, mas aqui vai uma crítica construtiva, pois no programa exibido ontem (19/06) na reportagem sobre o CFR de Belém – PA, vocês informam que 60% das mulheres estão presas pelo tráfico, mas citam que é o artigo 33 do Código Penal, só que o tráfico é regido por Lei Especial, então o correto é artigo 33 da Lei nº 11.343/2006.
Marcelo C
Quantas mulheres chorosas aqui! As presas coitadinhas deveriam ter pesquisado sobre as condições das cadeias antes de fazerem as erdas… De fato, as leis são cheias de furos e tudo depende da qualidade dos advogados que se tem. Diante disso, a pobraiada deveria parar de cometer tantos crimes, já que sabem que vão pra cadeia mais facilmente que qualquer outro… Tenho a impressão que se a tuta que picotou o japa tivesse grávida, a mulherada ia absolve-la sem problemas..
Iandara Batista  
Absurdo…extremo absurdo. E ao invés de a tal juíza orientá-la a uma busca por melhores condições, ficou maldizendo a moça. Triste realidade! Sangrenta realidade brasileira!
Iandara Batista
Imagino que não foram poucas nem leves as condições que levaram essas mulheres a cometer esses crimes. Admiro o trabalho da rede Globo em divulgar isto, mas me enojo ao ver tais reportagens, sem saber se quem as anuncia não se pronunciará em contribuir para a mudança dessa tragica realidade!Fui as lágrimas no último caso, a moça analfabeta, sem condições de responder as perguntas pronunciadas por aquela nojenta juíza, sendo pressionada, grávida, e sendo encarcerada por FURTO!! 
 Vanessa Henriques
 A juíza disse que se todos os menos favorecidos quiserem tomar os bens dos mais favorecidos, a situação viraria uma anarquia. Não é muito fácil dizer isso quando se pertence ao segundo grupo? A pobre coitada que foi condenada deve ter nascido numa condição de vida lastimável, sem nenhum incentivo ao estudo e ainda com necessidades mais latentes a serem resolvidas. Todos que não fazem nada para inverter esta lógica são cúmplices desse grande crime que é desigualdade social. A reportagem de hoje expôs de forma brutal o que acontece todos os dias e que poucos se dispõem a tentar resolver.
Iara Viana Vespasiano, MG
Sensacional a matéria!!!! Fica claro a forma diferenciada que a justiça trata a questão criminal feminina e ao mesmo tempo o quanto tem aumentado e diferenciado suas práticas criminais e tanto a mídia quanto a justiça insiste na figura feminina de forma frágil e fraca. Mas sabemos que o cenário atual é outro sua atuação criminal pode ser tão perversa quanto a masculina. Tratá-la diferente apenas viabiliza ainda mais sua atuação no entrelaçamento do tráfico, roubo e outros crimes o que reproduz a subalternidade feminina.

NEGRIARA

 A idosa admitiu que fuma maconha e também usa cocaína em ocasiões especiais. A vovó do tráfico foi presa em flagrante durante uma operação de combate às drogas em Trindade.

http://videos.r7.com/r7/service/video/playervideo.html?idMedia=4fe0e36a92bb70f4cd5c5ba7

Chamada da reportagem: Vovó do tráfico “Cara de Pau”
Cabe aqui várias reflexões: Há uma criminalização da pobreza? Há uma condenação maior por ela ser mulher e obrigatoriamente responsável pela educação dos filhos e netos?

Outro caso:
As brigas entre gangues rivais se tornaram frequentes em Juiz de Fora. A polícia realizou uma operação especial para combater o problema.

Outro caso:
 Veja a cobertura completa do caso Yoki

O empresário Marcos Kitano Matsunaga, herdeiro da Yoki Alimentos, foi encontrado morto e esquartejado na Estrada dos Pires, numa região rural, em Cotia, na Grande São Paulo, no dia 27 de maio. O corpo foi encontrado, cerca de uma semana após o desaparecimento, cortado em pedaços e colocado em sacolas plásticas.
A mulher do empresário, Elize Matsunaga, 30, confessou o crime e o esquartejamento no dia 6 de junho. A Polícia Civil afirmou que o assassinato pode ter tido motivação passional. De acordo com as investigações, Elize suspeitava que o marido estivesse tendo um caso e contratou um detetive particular para segui-lo. O profissional confirmou a traição.
De acordo com a versão da mulher, Matsunaga foi morto com um tiro após uma discussão entre o casal, onde ela teria sido agredida. Depois, ela esquartejou sozinha o corpo e guardou os pedaços em sacolas plásticas. A câmera de segurança do elevador do prédio onde ela vivia com o marido mostrou Elize saindo de casa com três malas. Ela confirmou à polícia que o corpo do marido estava nas malas.

Veja a cobertura completa do caso:
19 de junho

20h00 – Elize mostrou vídeo com traição para família Matsunaga

16h58 – Elize teria matado Marcos Matsunaga pelo dinheiro

18 de junho

16h40 – Promotor pretende denunciar Elize nesta terça-feira

17 de junho

22h01 – Confissão choca moradores da cidade de Elize

05h56 – Moradores apelidam via de “estrada do japonês”

16 de junho

22h26 – Perito confirma que Matsunaga foi decapitado vivo

05h43 – Nome é retirado da fachada do prédio dos Matsunaga

15 de junho

19h10 - Quatro dias após esquartejar marido, Elize vai ao salão de beleza

10h20 - Laudo traz à tona possibilidade de premeditação e presença de outra pessoa no crime, diz advogado

05h46 - Elize era “supermãe de japonesinha loira”, diz cabeleireiro

05h44 - Clientes de acompanhantes de luxo gostam de mostrar poder com “presentinhos”

14 de junho

20h42 -Inquérito que apura caso Yoki é transferido para São Paulo

18h43 - Polícia pede prisão preventiva de Elize Matsunaga

18h20 - Caso Yoki: empresário foi decapitado ainda vivo, diz advogado da família do executivo
11h41 – Laudo não comprova de tiro saiu de perto ou de longe, diz polícia 
09h39 – Caso Yoki: família diz não duvidar de paternidade
08h24 – Site de Elize Matsunaga é apenas “classificados”
05h45 – Acompanhantes de luxo recusam rótulo de prostitutas
13 de junho

16h20 - Elize está tranquila quanto à paternidade da filha, diz advogado

12h10 - Amante do empresário da Yoki alertou sobre possibilidade de caso ser descoberto por detetive

12 de junho

22h50 - De acordo com amante, empresário tinha medo que esposa fizesse algo contra ele
18h30 - Defesa de Elize ainda avalia se irá apresentar novo pedido de liberdade para suspeita de matar empresário da Yoki
16h30 - Justiça nega pedido para soltar Elize Matsunaga


14h22 – Polícia espera laudos para concluir inquérito sobre empresário morto

11h22 - Amante tinha caso desde o início do ano com empresário morto, diz polícia

05h47 - Assassinato muda rotina de familiares de Elize Matsunaga no Paraná

10 de junho

23h05 - Elize invadiu e-mail de Matsunaga para tentar enganar família, diz polícia

05h50 - Amante de empresário esquartejado deve ser ouvida pela polícia nesta semana
9 de junho

21h34 - Casamento de milionário da Yoki estava em crise há pelo menos seis meses

11h56 - Revelações sobre passado preocupam mulher de empresário esquartejado , diz defesa

05h50 - Executivo esquartejado e mulher se conheceram em site de relacionamento
8 de junho

17h20 - Elize está sozinha em cela da cadeia feminina de Itapevi

13h23 - Família de empresário morto não pretende pedir guarda de criança neste momento, diz advogado
05h53 - Faca do esquartejamento foi jogada em lixeira perto de shopping

7 de junho

17h54 - Advogado diz que mulher está arrependida de ter matado e esquartejado empresário
14h55 - Filha de empresário assassinado fica sob cuidados de tia
12h41 - Polícia vai pedir prisão preventiva de mulher de empresário assassinado

08h52 - Polícia divulga imagens da família pouco antes de assassinato de empresário

05h34 - Polícia vai ouvir funcionários de prédios e babás sobre morte de empresário

03h15 - Durante reconstituição, mulher confirma versão dada à polícia sobre morte de empresário

6 de junho

22h12 - Veja versão de mulher que confessou esquartejar marido

20h47 - Mulher de empresário morto acompanha perícia em apartamento

19h54 - Após confissão, polícia procura faca usada para esquartejar empresário

17h46 - Corpo de empresário foi retalhado dez horas após a morte, diz mulher

17h19 - Família de empresário está chocada, diz advogado

15h17 - Mulher de empresário diz que atirou em marido em meio a briga por ciúmes, diz delegado

13h24 - Mulher de empresário confessa assassinato e esquartejamento, diz delegado

12h54 - Prisão temporária de suspeita de matar e esquartejar empresário é prorrogada

11h27 - “É uma menina fragilizada”, diz advogado contratado por família de suspeita de matar empresário

11h04 - Veja a versão da polícia para a morte do empresário Matsunaga

10h07 - Mulher de empresário morto chega para depor no DHPP

08h14 - Polícia investiga se empresário morto teria usado serviço de acompanhantes

06h36 - Ministério Público acompanha investigação sobre morte de empresário esquartejado

05h35 - Polícia fará nova perícia em apartamento de empresário esquartejado

5 de junho

19h40 - Mulher suspeita de matar e esquartejar empresário vai passar a noite em presídio

18h35 - Empresário foi morto e esquartejado dentro do prédio onde morava com a família, diz polícia

16h50 - Polícia de São Paulo investiga se empresário teria sido morto por ter traído a mulher

16h13 - Corpo de empresário esquartejado é enterrado

07h35 - Mulher de empresário encontrado esquartejado é presa

4 de junho

21h49 – Empresário que estava desaparecido é encontrado morto e esquartejado

07h35 - Mulher de empresário encontrado esquartejado é presa

 A primeira-dama do crime mineiro foi apresentada nesta sexta-feira pela polícia  Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

NEGRIARA
 

A jovem de 23 anos é suspeita de envolvimento em dois assassinatos, sendo mandante de um deles. Ela usava um perfil no Orkut para postar fotos com armas e ameaçar rivais.
Publicação: 15/06/2012 11:57 Atualização: 15/06/2012 13:34

Lidiane tantou passar um nome falso aos policiais quando foi abordada durante um show na Praça da Estação, Centro de BH.
Está presa uma jovem de 23 anos apontada como líder do tráfico de drogas e suspeita de participação em dois homicídios no Bairro Glória em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Lidiane Silva Campos, também conhecida como “primeira-dama”, foi apresentada pela Polícia Civil (PC) nesta sexta-feira.
Segundo o delegado Luciano Guimarães, da Divisão de Homicídios de Contagem, após a morte de um dos irmãos, em 2008, Lidiane assumiu o controle do tráfico de drogas, liderando a “Gangue Terrorista do Glória”. Ela é suspeita de ser mandante da morte de um rival, Iago Francisco Dutra, de 18 anos, morto em maio do ano passado. Os autores do crime seriam Adam Loes Santos e Marcos Felipe dos Santos Moreira, que atualmente estão presos por outros delitos.
Iago era irmão do adolescente que matou quatro pessoas em uma chacina em novembro do ano passado. O crime foi uma represália ao assassinato de dele. Entre as vítimas, estava outro irmão de Lidiane, Leonardo José de Souza. Para vingar a morte dele, Lidiane matou a tiros a namorada dele, uma adolescente de 14 anos, que foi baleada enquanto estava em um telefone público no Bairro Glória e 5 de novembro de 2011. Na época, testemunhas disseram que ela seria autora do crime. Foi quando Lidiane começou a ser investigada.
 A polícia descobriu que, após este último assassinato, a jovem passou a mudar de endereço constantemente, para não ser localizada. Ela também costumava trocar o chip do celular de 15 em 15 dias temendo ser rastreada. No entanto, Lidiane mantinha uma página no Orkut onde postava fotos com armas e fazia ameaças aos rivais, entre eles a família de Iago, que teria incendiado a casa dela em outra ocasião.

Nesta semana, a Polícia Civil recebeu a informação de que ela estaria em um show na Praça da Estação. Eles conseguiram identificar a jovem que, ao ser abordada, tentou passar um nome falso. Mas, durante a revista, os policiais reconheceram a tatuagem que ela possui com o nome de Daniel Silva Santos, o irmão assassinado em 2008. A jovem já havia sido indiciada pela polícia em maio deste ano e foi detida.

Lidiane aparecia em várias fotos provocando os inimigos e a polícia  Foto: Ney Rubens/Especial para Terra
 Lidiane aparecia em várias fotos provocando os inimigos e a polícia
Comentários
 Autor: Rosilene Constantina
Impressionante, como estão as famílias e a justiça atualmente. Tínhamos mesmo que chegar a esse ponto, com esses deputados elaborando leis cada vez mais suaves pros vagabundos. Agradeçam inicialmente a Ulysses Guimarães, pela “nobre” constituição, que proíbe prender marginais de 1988 prá cá.

 Autor: antonio mineiro
isso é que dá umas piruguetes ficarem se achando. a policia e os jornalistas bobos alegres ficam endeusando a caolha, chamando de primeira dama, as outras todas se alvoroçam. um trem miserento desse é primeira dama de quê? e ainda no gloria? façam-me o favor. um pouco de vergonha na cara, senhores!
Autor: Ricardo Scz
Um tiro, um morto. Pela economia de dinheiro público.

OUTRO SITE
A primeira-dama do crime foi apresentada pela polícia em Contagem. Foto:  /Reprodução
A primeira-dama do crime foi apresentada pela polícia em Contagem
A Polícia Civil em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, apresentou na manhã desta sexta-feira a suspeita de tráfico de drogas e homicídios Lidiane da Silva Campos, 23 anos, conhecida como a primeira-dama do crime. Segundo o delegado Luciano Guimarães Nascimento, a jovem é “uma moça de boa aparência, mas muito temida pelos criminosos rivais e também por membros da própria gangue dela”.
Veja as musas do crime no Brasil
Influência de namorados, prestígio, vaidade, dinheiro. O leque de motivos que levam jovens mulheres, algumas nascidas em famílias ricas, para o mundo do crime é imenso.
A semelhança, no entanto, está no papel feminino nos delitos. Geralmente em posições estratégicas – se não de liderança – elas foram peças-chave para viabilizar assassinatos, roubos e golpes. Confira a seguir 14 casos selecionados pelo Terra nos últimos 10 anos em que “musas” da bandidagem tiveram seus belos rostos e corpos estampados nas páginas policiais.
Lidiane foi presa quando assistia a um show no centro de BH. Ela negou os crimes, mas segundo o delegado, ela seria a “mandante da morte do jovem Iago Francisco Dutra, 18 anos, e autora do assassinato da estudante Larissa Emanuela, 14 anos. Ela também já foi indiciada por tráfico de drogas”.
Ainda de acordo com o delegado, na ocasião do assassinato de Iago, bandidos de uma gangue rival do bairro Glória teriam vingado a morte do rapaz matando três pessoas e baleando outras 13 em dois bares e uma casa em outubro de 2011. Uma menina de 2 anos ficou tetraplégica após os disparos.
“A chacina foi uma vingança pela morte do Iago. A Lidiane então resolveu vingar a chacina matando a Larissa, já que entre os mortos estava um irmão dela, Leonardo Campos, que também tinha envolvimento com o tráfico”, completou.
Segundo Nascimento, Lidiane vivia desafiando a polícia. “Ela é perigosa, ousada. Ficava sempre mandando recados para rivais e nos desafiando por meio da internet. Agora isso acabou, esse é o recado que mandamos para os criminosos que tentam esse tipo de coisa”, afirmou.
Em uma das fotos a jovem aparece com um revólver calibre 38 ao lado de uma amiga com quem se desentendeu posteriormente e teria passado a ameaçá-la. Apesar do ousado título de primeira-dama, segundo a polícia, Lidiane “não é mulher ou companheira de algum criminoso que justifique o nome”.

COMENTÁRIOS
Jidensha No Dorobo15/06/2012, 19h29 É vida loka, mano… os moleques querem ser estuprador e traficante que nem o Jay-Z e o 50Cent e as minas querem dar a bucêta para o cara~mais malzão da paróquia, a lá Beyoncé e Rihanna…
 lariquinha215/06/2012, 19h16 olha a cara da VAGABHA… essa mulherada tá toda errada, acha lindo ser mulher de bandido, agora acha bonito ser bandidinha…. RIDÍCULA, vai ficar presa no meio da sapataiada sem dó…
bob juliano porto15/06/2012, 18h52geralmente quem tira foto fazendo pose de rap é bandido. é só reparar na foto dela
EDUARDO GOMES15/06/2012, 17h11 TEM QUE ENVIAR ESSE CANO NO ORIFÍCIO CIRCULAR CORRUGADO DESSA PIRANHESKA.
Pão Franceis15/06/2012, 16h51 Mulherada conquistando seu espaço, uma picou o marido, ontem duas menores mataram e arrancaram coração da colega, ta um tal de uma namorar com a outro, o bixo ta pegando kkkkkk

cristiano15/06/2012, 15h3Primeira dama de que?Este troco fazia ponto no industrial e aviazinho no anel rodoviario rapa.No novo gloria todo mundo conhece como maria macaneta,se atualizem o pessoal do terra.Isto faz progama por 10,00 ma praquemquer moco.nun e primeira dama nem penultima.Ta mais pra faxineira do trafico  
 Boque Jando15/06/2012, 15h29 De dia fica bravinha de arma na mãoe de noite chora na värä e pede perdão….

http://terratv.terra.com.br/videos/Noticias/Brasil/4194-419936/Garota-tortura-colega-e-filma-agressao-com-celular-no-RJ.htm

Maria Aparecida dos Santos chora a morte da filha Fabíola Santos Correa, com ela na foto. Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura Press

NEGRIARA

Maria Aparecida dos Santos chora a morte da filha Fabíola Santos Correa, com ela na foto.

Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura Press

Uma garota de 12 anos foi cruelmente assassinada na cidade de São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte. As suspeitas de cometerem o crime são duas meninas de 13 anos. Elas estão apreendidas.
Confira crimes que chocaram pela brutalidade
O corpo foi encontrado na quarta-feira passada em um local conhecido como Mata do Japonês. A garota foi morta com golpes de facão e uma barra de ferro. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, as duas meninas abriram o tórax da vítima e lhe arrancaram o coração. Ela estava desaparecida desde o dia 27 de maio.
As duas jovens confessaram o crime. No entanto, o motivo do assassinato não foi informado pela polícia.

OUTRA CHAMADA PARA A NOTÍCIA: 

Jovens de 13 anos matam e tiram coração de amiga em Minas Gerais

As duas suspeitas confessaram o crime, ocorrido em 26 de maio em São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte, e estão internadas provisoriamente em um centro de reabilitação da capital.

 Duas adolescentes de 13 anos mataram a amiga de infância Fabíola Santos Corrêa, de 12, e ainda arrancaram o coração da vítima. As duas suspeitas confessaram o crime, ocorrido em 26 de maio em São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte, e estão internadas provisoriamente em um centro de reabilitação da capital. O corpo de Fabíola foi encontrado no último dia 7 em uma área conhecida como Mata do Japonês e ainda passa por perícia no Instituto Médico Legal (IML) da Polícia Civil.

No dia do crime, a vítima saiu de casa com as colegas, que têm envolvimento com integrantes de uma quadrilha de tráfico de drogas que age na região. Segundo a polícia, as acusadas alegaram que no lote vago que costumavam usar para cortar caminho uma delas pegou uma faca para “dar um susto” em Fabíola, mas a menina reagiu e sofreu um corte no pescoço. Ela ainda tentou fugir, mas, de acordo com o delegado do município, Enrique Solla, como a situação havia saído do controle, elas resolveram matar a amiga com outras facadas, além de golpes de uma barra de ferro.

Segundo o delegado, as duas revelaram detalhes do crime e não mostraram arrependimento. “Elas tinham medo de que Fabíola contasse a rotina da quadrilha para facções rivais e disseram que iam dar um susto para ver se ela falaria”, disse. Além de arrancar o coração da menina, as acusadas ainda cortaram um dedo de um dos pés da vítima.

As duas ainda puseram as partes do corpo em uma sacola para mostrar às mães. O plano, de acordo com o polícia, era alegar que estavam sendo ameaçadas por criminosos e dizer que foram obrigadas a matar um deles. Porém, o irmão de uma delas, de oito anos, enterrou os restos pensando se tratar de um coração de porco e um dedo de brinquedo.

Em depoimento, as meninas disseram que se arrependeram de ter levado as partes do corpo para casa e, no dia seguinte, as jogaram em um rio. Apesar da confissão, o caso continua sendo investigado. Isso porque a polícia não descarta a possibilidade de o crime ter sido cometido a mando de um traficante e de as partes serem uma prova de que elas cumpriram o que havia sido ordenado.

14/06/2012 – 19h39 – Atualizado em 14/06/2012 – 19h39