Trabalho de Campo - Pesquisa/Geografia do Lazer

Entre a teoria e a prática (1)

Antes de utilizar a teoria habermasiana para a análise do presídio discutirei porque as teorias da dicotomia do tempo livre ou lazer/trabalho não permitem a existência do lazer dos presos no campo metodológico, seguido dos limites das teorias pós-modernas e da teoria configuracional de Elias e Dunning para compreender o lazer na reclusão.

O primeiro ponto é da tese do trabalho, como contraponto ao lazer, ou como elemento constituinte fundamental para existência do lazer (DUMAZEDIER, 1979). Nesta posição o preso por não trabalhar não possui lazer. Uma rápida leitura do modelo habermasiano permite compreender as relações de trabalho em uma lógica diferente da de Dumazedier.

Para Almeida (2003b), a partir das teses habermasianas, o trabalho e o lazer encontram-se em estruturas sociais distintas. Enquanto o trabalho encontra-se no Sistema dinheiro e poder, o lazer está no Mundo da Vida (espaço de relações intersubjetivas). O Sistema agrega as ações do tipo estratégico, isto é, ações egocêntricas no qual o ator social age para conseguir algo, deste modo ele não prioriza o consenso, as ações são voltadas para ganhos pessoais, não importando as regras normativas e o outro, apenas a vontade egoísta. Diferentemente do Mundo da Vida, pois o Mundo da Vida concebe a totalidade de relações pessoais através da comunicação, representa o respeito às normas e às formas subjetivas de convivência com seus pares. Assim o trabalho, ou, o não trabalho no presídio, não é um fator limitante do lazer. Pois, o que define lazer é o Mundo da Vida não o Sistema. Para Habermas (1987) todas as formas de relacionamento, como o lazer que é considerado uma forma de interação sócio-cultural, se orienta pelo Mundo da Vida.

O segundo ponto refere às atividades dos presos como recreativas e não de lazer. O lúdico e o prazer, como vimos anteriormente nas discussões de Gutierrez, são os elementos fundamentais para a constituição do lazer e recrear-se parte também deste pressuposto. Esta separação é ligada ao ranço do poder do trabalho no lazer, construído, principalmente, para segregar as atividades recreativas no labor, isto é, com o referencial teórico direcionado para o trabalho há uma grande dificuldade em interpretar as atividades desenvolvidas no próprio trabalho, seja relaxamento, ou campeonatos operários, enfim, os limites do que é ou não lazer são tênues. Inserindo a escola nesta discussão, o paradigma do trabalho torna-se ainda mais complicado, seria lazer as atividades extra-classe? Por estas dúvidas os autores que discorrem sobre a dicotomia lazer e trabalho, criaram a categoria “recreativa” para definir este elo tênue entre o lazer e trabalho, ou um meio-termo. Por isso as atividades de lazer no presídio poderiam ser consideradas como recreativas segundo estes mesmos autores. Como o lazer não é definido como contraponto ao trabalho e sim pelo mundo das relações e da sociabilidade espontânea (Mundo da Vida), não é possível usar esta definição para o lazer dos presos.

Quanto às teorias do fim do trabalho, apesar do prazer, ou sua necessidade, estarem nas teorias de Habermas, segundo interpretação de Gutierrez e Almeida, e na de Elias e Dunning, existe uma diferença fundamental. Enquanto Gutierrez e Almeida têm como perspectiva uma sociedade de conflito, Elias e Dunning apontam para uma sociedade harmônica através das práticas de lazer. Para Gutierrez e Almeida a busca do prazer passa pelo conflito do princípio do prazer versus o princípio da realidade (Neurose), pelas normas construídas no coletivo e pelos símbolos compartilhados no mundo da vida, no qual o sujeito deve ser integrado para viver em comunidade. Do outro lado, Elias e Dunning apontam para um aspecto utilitarista do lazer. Isto é, o lazer serviria como elemento que permite aflorar as pulsões e ações reprimidas pelo ordenamento contemporâneo. Sua forma, construída pela sociedade moderna, alivia as tensões que a sociedade urbanizada impõem para vivermos em sociedade. O lazer parte de um pressuposto harmônico ou de tender a uma harmonia sistêmica.

O processo histórico que integra o lazer e prazer é compreendido pelas práticas simbólicas e constituição de uma comunidade organizada em qualquer tempo e lugar, a interpretação deste artigo acerca do lazer parte desta construção coletiva. Diferentemente deste referencial, se utilizássemos Elias e Dunning, as atividades de lazer dos presos não representariam os papeis da cultura delinqüente, mas sim uma forma de aliviamento das pulsões, mas como pensar em aliviamento se estes indivíduos estão no cárcere justamente por não ter internalizado as regras que regem o coletivo. Fica no mínimo incoerente apoiar-se neste referencial para a análise do sistema prisional e lazer dos presos.

Quanto as teorias de lazer pós-modernas, apesar delas se aproximarem de um sujeito hedonista e permitir o lazer dos presos no plano metodológico, elas não discutem o lazer macro-social como Habermas (Almeida, 2003b). Recorrendo as teorias pós-modernas não haveria avanço na análise do presídio já que qualquer tema pode ser pulverizado e encaixado. A idéia pós-moderna não é ter uma metodologia clara ou marco conceitual único. Este trabalho pretende utilizar o presídio para ampliar conceito de lazer, que, a partir desta análise, poderia ser reportado para outras esferas sociais, o que não ocorreria se utilizássemos as teorias pós-modernas.

Por isso trabalhou-se, para a análise do lazer dos presos(1), com teorias que valorizassem diferentes instituições: as normativas, sociais, simbólicas, juntamente com a possibilidade de projeção do agente social nelas. Assim, as dificuldades metodológicas existentes nas teorias ligadas ao trabalho e obrigações deixam de existir. As atividades no pátio, mesmo em um espaço e tempo limitado, as organizações de festas internas, os campeonatos de diferentes modalidades coletivas, mostram o todo orgânico do espaço de reclusão. Entendendo que o sujeito inserido no sistema prisional não perde seu caráter histórico, humano e transformador, e o lazer no presídio é característico pela formação social presente em qualquer meio social organizado.

As teorias prisionais, resumidamente, referem-se ao presídio como local de efervescência da delinqüência, de reprodução da violência, um local estanque da sociedade livre que não existe qualquer troca simbólica, qualquer possibilidade de comunicação e formação de grupos de amizade e muito menos possibilidade de lazer. Goffman (1996) e Foucault (1986) compartilham com este quadro teórico apresentado. Nestes termos, os autores não entendem o apenado como única e exclusivamente privado de liberdade. Este sujeito encarcerado, segundo a análise habermasiana, não deixa de ser humano quando preso, conseqüentemente, o mundo do encarcerado não é um local estanque da sociedade livre e não somente reproduz-se a violência no presídio2. O preso é histórico, transformador e comunicativo, buscando auferir prazer como qualquer outro, por isso existe o lazer no presídio e o lazer na reclusão determina a situação do preso e grupo que o sujeito representa, fazendo, desta maneira, parte da cultura prisional. “Trabalhar na prisão é principalmente uma forma de ser bem-visto pela administração, diminuir a pena, e, ainda, uma maneira, a lado de jogos, televisão, futebol, de matar o tempo” (GOIFMAN, 1998 p.214).

Neste sentido, as atividades que reproduzem o ilícito, no caso o carteado, os jogos de azar, a homossexualidade, o consumo de drogas, são características do lazer de um grupo em um certo contexto, pois o lazer é entendido pela busca do prazer, não havendo, portanto, nenhuma forma de lazer que não buscasse auferir prazer. E este prazer, que pode ou não ser efetivamente consumado, é um elemento essencialmente humano, característico da formação da personalidade e presente em qualquer meio social organizado, desde uma perspectiva histórica (GUTIERREZ, 2001).

Lazer e presídio pela Teoria da Ação Comunicativa

O lazer é entendido pela busca do prazer, que pode ou não ser consumado, pensando o agente como histórico e dotado de razão, que segue suas vontades, seus símbolos e padrões culturais, ou suas ações restritas às sanções e normas sociais (GUTIERREZ, 2001). Isto é, o lazer está no mundo da vida e tem como limite as normas do grupo, a sociedade e a ação do indivíduo. As atividades de lazer caracterizam-se por uma liberdade relativa de opção, pela percepção individual e subjetiva da expectativa de prazer e pela autonomia e responsabilidade do agente sujeito da ação social. Isto coloca grande parte das manifestações do objeto lazer no campo da sociabilidade espontânea, ou informal, compreendida aqui como espaço de interação distinto dos sistemas organizados formalmente, ou burocratizados, a exemplo das dimensões políticas e econômicas, definidas por Habermas como sistemas dirigidos pelos meios poder e moeda. (GUTIERREZ, 2001).

Um importante avanço nas teorias do lazer, foi dado por Gutierrez (2001) ao relacionar o lazer à busca pelo prazer. Este prazer encontra-se no mundo da vida, no mundo das relações pessoais e da cultura. Esta ferramenta possibilitou entender o fator histórico-social do lazer que é próprio do humano, isto é, a busca social pelo prazer é própria de qualquer tempo e lugar, tem características na formação cognitiva humana e por isso é determinado historicamente. O lazer por estar no mundo da vida e das relações representa o arsenal do saber humano e não é restringido pelo trabalho. Portanto, as práticas de lazer dos presos não possuem somente uma formação de fora imposta pelo governo, mas suas práticas superaram as imposições institucionais e são desenvolvidas por um conjunto de ritos e símbolos próprios da reclusão. Isto é, o lazer dos reclusos reflete a cultura da penitenciária e é parte integrante do arsenal simbólico da reclusão.

Neste caso o lazer associa-se às regras intramuros, aos códigos internos peculiares ao sistema prisional, ao espaço totalitário, à concentração de poder e à vigilância constante (FOUCAULT, 1986). Estas afirmações provocam um afastamento da idéia de lazer voltado a transformação social e a reabilitação.

O lazer interpretado por uma leitura romântica é associado à educação e às regras morais aceitas pela sociedade, afirmo, diferentemente desta perspectiva educadora, que o lazer não é sinônimo de educação e da pedagogia (ALMEIDA, 2003a), o lazer expressa as regras de um grupo, associado à sua perspectiva histórica e cultural, onde os agentes sociais dotados de razão, segundo Habermas (1987), são responsáveis por suas ações sociais.

O lazer expressa a prisionização (AMORIM, 1993) e os valores da “sociedade dos cativos” (PAIXÃO, 1987 p.42): “Essa ‘sociedade dentro da sociedade’ nasce do isolamento da massa carcerária e constitui meio propicio para processos de conversão de internos em uma perspectiva criminosa.

Por isso o lazer integra-se a este “estilo” de vida, que pode ser resumido pela aceitação de papel inferior, desenvolvimento de novos hábitos, adoção do linguajar local e sempre buscar um “adiantamento”. Este processo não ocorre somente ao detento, mas às pessoas que trabalham nos espaços de reclusão por conseqüência, criando em seu invólucro tendências próximas deste sentir o poder e a submissão do outro. Por este motivo, há a proliferação do ilícito na relação entre presos e instituição, tendo como fim a liberdade e a recuperação ou, no mínimo, amenizar sua “estada” na reclusão. Em um sistema totalitário com regras próprias, o detento necessita se integrar para a sua sobrevivência (PAIXÃO, 1987). Neste sentido percebe-se a dificuldade da reabilitação, porque os hábitos transitam em dois sentidos antagônicos: o primeiro é a reabilitação pela submissão; o outro é a reincidência.

A partir desta análise entenderemos o lazer dos presos através do fenômeno da prisionização, pois o lazer é incorporado na prisionização e integra-se a partir das normas do grupo. As atividades desenvolvidas pelos presos refletem uma ótica a partir do ilícito pela lei e sociedade, onde ocorre a reprodução de um certo tipo de linguagem e modos de relacionamento interno. No caso, fala-se “das leis dos cativos” entre os cativos.

“Esses mesmos rituais e normas institucionais reforçam os laços de dependência e passividade constituídos nas prisões, estimulando dessa forma a reincidência criminal e, por essa via, fazendo com que a única existência possível seja a do intramuros institucional” (ADORNO, 1998 p.1027).

O código interno dos detentos é peculiar (um amplo arsenal cultural que é desenvolvido entre os presos devido a sua situação). Esta construção do código cativo serve de ferramenta para o entendimento, a segregação, a construção e/ou proteção das relações entre detentos e instituição. Deste modo, o lazer do preso é prisionizado e as características discutidas do prazer, do lúdico e do indivíduo, deverão ser intermediadas com o intuito de decodificar os códigos presentes no espaço de reclusão. Aproximando o lazer encarcerado ao lazer do encarcerado. Isto é, todas as atividades desenvolvidas passam por um filtro simbólico dos detentos que necessariamente reproduzem a sua linguagem, os seus ritos e as formas de poder e submissão, tanto entre os detentos e instituição como entre eles.

Por exemplo, a homossexualidade que é gerada também por um “tráfico do sexo masculino”, onde novos presos funcionam como mercadorias, raspando seu corpo; ou então as visitas que mantém um ciclo de tráfico de materiais; ou o carteado; os jogos de azar; o futebol; as atividades físicas e outras não obrigatórias que se inserem, integram e interagem com o sistema prisional (COELHO, 1987) são tipos de lazer. Todas estas atividades, apesar de reproduzirem o ilícito, são formas de lazer, que não pretendem reflexivas ou mesmo transformadoras, apenas reproduzem dentro deste contexto “sociedade dos cativos” os valores e normas existentes fora dele.

Todas estas atividades no presídio como: carteado, futebol, atividades físicas, jogos ilícitos, jogos de mesa, uso de drogas, assistir televisão, fazer tatuagens e a prática sexual são lazeres e têm um grande papel na cultura da prisão. São as atividades de lazer que definem o grupo que controla a prisão “malandragem” e os subjugados (JOCENIR, 2001). Outro motivo é referente à atividade de lazer como controle da massa encarcerada por parte dos agentes penitenciários, porque as primeiras sanções coletivas atuam diretamente nas atividades de lazer (GOIFMAN, 1998), como: proibir a televisão, o horário de pátio e as visitas.

O lazer do recluso é determinado pelos padrões de convivência do preso, juntamente com as relações no mundo da vida. O lazer e o ilícito seguem lado a lado na formação da sociedade dos cativos. Posso afirmar que o lazer estudado no presídio se relaciona às regras dos cativos na instituição prisional, conjuntamente às manifestações do objeto lazer nos espaços de interação e sociabilidade espontânea, suas ações integram-se à cultura prisional, como já foi apontado. Por conseguinte, o lazer, o ilícito, a prisão e o preso unem-se para formar os padrões e normas culturais do agrupamento dos indivíduos na reclusão. Definindo o lazer do preso a partir dos pressupostos de convivência e relação com o mundo externo, como também as peculiaridades intramuros e a vontade do ser humano para satisfazer sua necessidade de busca do prazer.

O lazer no presídio existe, não pode ser negado. Considerar a inexistência do lazer na reclusão é concordar que o preso esta fora das relações sociais, e que o encarceramento não pertence ao agrupamento contemporâneo, estando estanque à sociedade.

Deve-se ter em mente que o presidiário vêm da sociedade livre, com todas as regras de convivência incorporadas (2) o lazer faz parte do seu cotidiano e é expresso e construído no mundo da vida. Afirmar que não existe o lazer na penitenciária é dizer que o recluso ao entrar no presídio retira toda a sua vivência no mundo social (como uma roupa) e incorpora as novas regras intramuros (vestindo a nova roupa, para utilizar a mesma metáfora), o que não é verdade (ALMEIDA, 2003a).

O cárcere não está separado das ações sociais e dos símbolos coletivos, Albuquerque (1980) na sua crítica aos estudos de Goffman, afirma que o autor discute a relação dos internos através da unilateralidade da formação dos símbolos das instituições totais, sem intermediação das normas compartilhadas pela totalidade do coletivo.

A busca de um corpo ideal na musculação no presídio mostra-nos que os presos não estão aquém da cultura do culto ao corpo, eles possuem televisão e trazem consigo os atributos estéticos da cultura “livre” (Almeida, 2003a). Outra interpretação é ver as visitas como elo de ligação do mundo externo, a liberdade, a lembrança ao passado e a infância (Almeida, 2003a). Por último o RAP, ele é um bom exemplo desta alusão ao mundo externo, nas músicas os presos descrevem a vida na prisão como o cão, valorizam os amigos, a família e o distanciamento das drogas, como também o afastamento do crime. Esta valorização do mundo da vida nos mostra como os presos se reportam aos valores intersubjetivos da sociedade livre.

Todos estes exemplos mostram que a “sociedade dos cativos” é construída na reclusão sim, mas com pessoas um dia livres e que minimamente têm acesso aos bens culturais de fora, seja nas visitas, na televisão, com os carcereiros ou com a entrada de novos presos. Como esclarecido, as regras intramuros, ou melhor, a incorporação dos hábitos locais e definição do indivíduo com seu entorno, não é ato típico da reclusão, mas faz parte da forma de construção da linguagem e dos símbolos que compõem a nossa sociedade (HABERMAS, 1989). Lembrando também que as regras valorizadas na prisão são construídas no mundo da vida, pois a reclusão é a manifestação palpável das normas legitimadas por um coletivo. O presídio representa a evolução sistêmica das normas sagradas e a dicotomia com o profano, tendo um relacionamento próximo com o mundo da vida.

  1. Discussão feita a partir da análise das instituições prisionais brasileiras, de uma ampla bibliografia exploratória e à pesquisa de campo.
  2. VIANA,I.F
Entrevista com Carlos Amorim

Carlos Amorim

Por Iara Félix Viana,

A reportagem de Carlos Amorim revela o que realmente é o Comando Vermelho: um filhote da ditadura militar. Criado na cadeia onde  a repressão jogou, juntos, presos políticos e comuns, cresceu no vazio político e social ao qual o capitalismo selvagem relegou a grande massa, o povo das favelas, da periferia. Filho da perversa distribuição de renda, da falta de canais de participação política para esse povo massacrado, o  Comando Vermelho pôde parodiar impunemente as organizações de esquerda da luta armada, seu jargão, suas táticas de guerrilha urbana, sua rígida linha de comando. E o que é pior: com sucesso.

Comando Vermelho não é um caso de polícia. É um câncer político. Mas não um tumor que se extirpe. A omissão, incompetência e interesse dos políticos que governam e governaram o Rio – como documenta o autor – deixaram o tumor virar metástase, enraizado em todo o tecido social. Pois não só os favelados sustentam não só o CV, como todas as outras facções. Também os filhos da classe média e os yuppies que consomem drogas dão seu sangue para alimentar o câncer. Partindo do pressuposto que, fazer parte destas organizações, garante parte dos direitos fundamentais, previstos na Constituição de 88, tais como: saúde, alimentação, segurança e LAZER, essa, população favelada, não deve ser considerada como, vagabundos, o trabalho desenvolvido por eles os Pobres do Lugar[1], constituiu tarefa árdua.

Selecionei para análise desta afirmação, o trecho abaixo, retirado das entrevistas em minha área de estudo:

-Hierarquia e Estilo (…) camiseta estampada. Usa o inevitável boné, símbolo  de ascensão na hierarquia dos morros. Porque M.W, não empina mais a pipa dos olheiros. É “avião”. Na linguagem do crime: “ultraleve”, menino-traficante. Entrega pequenas quantidades de cocaína aos viciados. O “salário melhorou bastante – chega a R$ 600,00 mensais – e não é preciso sair do Morro.”(2009)

Em outro estudo, tive a oportunidade de analisar mais detidamente o que afirma, o historiador inglês Edward Palmer Thompson[2] “A semana se divide entre Tempo Pessoal e o Tempo Destinado ao Patrão”, daqui emerge uma potencial vivência dos lugares e das cidades. Um conjunto de experiências delineadas a partir do século XVIII, esboçado no contexto da Revolução Industrial, que nos remete a construção da idéia de Nação, momento “de construção do ideário e um imaginário que rompia com o passado”. Seus artigos versam, em grande parte, sobre as histórias do trabalho e da Cultura, sempre no âmbito das questões sociais. O historiador mantém seu ponto de vista centrado na classe trabalhadora, argumentando que a trajetória dessa camada da população não é empreendida apenas no sentido econômico, mas principalmente na edificação de suas vivências históricas. A esse respeito parece-nos muito pertinente, afirmar que, não há poder sem imagem, sem um tempo, sem um lugar, os criminosos evoluíram, aprendeu a se organizar, estão inclusive no comando político. São uma grave ameaça à ordem pública. E o que vem por aí, no futuro?

Combatê-los pressupõe: primeiro, conhecer sua história, criar propostas políticas que dêem uma alternativa concreta às populações faveladas que viraram massa de manobra do CV, ou de qualquer outro espaço geográfico no Brasil onde o povo no qual o crime organizado se enraizou. É triste ver que, tanto na recente campanha para a Prefeitura quanto na campanha para o Governo estadual e Presidência da República que se anuncia, os candidatos e partidos carecem de propostas reais que mobilizem essas comunidades. Promessas vazias e demagogia não arranham o poder do CV. E os políticos continuam a barganhar votos em alianças secretas com os traficantes.

Em breve teremos as bancadas do Comando Vermelho e tantas outras Facções. Se nada mudar, logo todos esses líderes se tornarão tão “legítimos” e “populares” quanto seus aliados, os bicheiros. Pode ser até que, no vazio deixado pela prisão da cúpula do bicho, essas organizações do Crak” espalhe ainda mais os seus tentáculos. Em vez de desfilar clandestinos, nas baterias e alas, seus chefes subirão aos carros e camarotes na Avenida. E o sistema os absorverá, nas parcerias do poder.

“Não preciso mais de pistoleiros. Agora eu quero deputados e senadores.”

(Frase atribuída a “Big” Paul Castelano, o homem que por mais de vinte anos chefiou a família Gambino, uma das mais importantes da Máfia em Nova York. Ele morreu num atentado a tiros durante uma guerra entre as quadrilhas da Cosa Nostra.)

 

O objetivo deste artigo, deste blog, como também do meu trabalho atualmente, é revelar os bastidores; descortinar estratégias preconceituosas do poder público, me valendo de pesquisas, locais, e criando uma interdisciplinaridade entre, Geografia Cultural e Lazer. Sob essa óptica culturalista, portanto, neste contexto de produção, reprodução e ressignificação da sociedade, que busco evidenciar formas, e olhares, para compreender como, os deslocamentos populacionais  realizados pelo governo,  são capazes de criar/recriar  singularidades, encontros e desencontros, certezas e incertezas, conhecimentos e desconhecimentos, diferenças e indiferenças.  Revelando alteridade, demarcando uma tensão histórico-social a trajetória desses deslocamentos, constituídos por processos, de territorialidade, desterritorialidade  envolvendo além  de  dimensões geográficas e sociais, dimensões psicossociais, devem ser analisadas com cautela, respeito priorizando a participação dos envolvidos, em todos os tempos sociais.

Reservado todos os direitos autorais (Lei nº 9.610/98)

FONTES

Victor Andrade de Melo. A Animação Cultural. Conceitos e Propostas. Editora Papirus, Campinas, SP, 2006.

http://culturamauff.blogspot.com/2009/04/edward-palmer-thompson.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Palmer_Thompson

-Celso Martins  –  Repórter do Jornal Hoje  em Dia  –  19/05/2010  -  Pode chegar a pelo menos 30 o número de pessoas assassinadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) pelo grupo de extermínio que disputava pontos de tráfico de drogas em Vespasiano, Morro Alto e São José da Lapa.

-CLAVAL, P. (1995) – La Géographie Culturelle. Ed. Nathan, Paris.

-MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de Grupo: Teorias e Sistemas. Pág.204- 5. Ed.- 6. reimpr.-São Paulo: Atlas,2009

-GÓMEZ-OREA,1993. Conceitualmente, a ordenação do território é a projeção no espaço das políticas sociais, culturais, ambientais e econômicas de uma  sociedade

-GUATTARI, FELIX. Caosmose: Um novo paradigma estético. SP. Ed.34. (2006)

- MAGNANI, José Guilherme C.; Souza, Bruna M. de. (Org.). Jovens na Metrópole: Etnografias de Circuitos de Lazer, Encontro e Sociabilidade. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2007.


[1] VIANA,I.F(2010).CONTRIBUIÇÕES DA  GEOGRAFIA  CULTURAL  PARA O  LAZER    EM UM BAIRRO SEGREGADO: CIRCUITOS ESTRATÉGICOS, DESTINADOS AOS  “Pobres do Lugar”: Estudo de caso Conjunto Morro Alto – Vespasiano/MG.

[2] THOMPSON, Edward Palmer. Senhores e Caçadores: a origem da lei negra. Tradução Denise Bottman. Rio de Janeiro, Paz e Terra.1987)

Pode, em casos extremos, haver governança sem governo e governo sem governança. Governo sugere uma autoridade formal, dotada de poder de política, que garante a implementação de políticas instituídas. Governança refere-se a atividades apoiadas em objetivos comuns e partilhados, que abrangem tanto as instituições governamentais quanto mecanismos informais, de caráter não-governamental, mas que só funcionam se forem aceitos pela maioria, ou mais precisamente, pelos principais atores de um determinado processo. Utopia, ou não? Seria possível imaginar cidadãos buscando esta governança, em seu interior? Caso isso aconteça, com pelo menos 10% da população dos países emergentes, os “tais governos” iriam a falência múltipla.

Planejamento e Participação:  
Os governos, nomeadamente os locais, estabelecem estratégias de desenvolvimento e procedem ao lançamento de instrumentos que operacionalizam esse mesmo desenvolvimento. Ao provocar mudanças sucessivas nos espaços urbanos, o desenvolvimento implicou que a preocupação da organização das cidades não fosse deixada apenas sujeita a regulações naturais e decisões públicas quotidianas desenquadradas de uma ordem e visão de conjunto. É com a evolução das cidades ocidentais a partir da segunda metade do séc. XIX, que surge a ideia do planeamento urbano, isto é, a ideia de controlar racionalmente a urbanização e o desenvolvimento das cidades. O planeamento é, assim, um conceito que subentende o controlo social do desenvolvimento. Ao encarar-se uma perspectiva espacial, estamos a conceder ao planeamento uma dimensão territorial, em que podem ser identificados vários níveis e em cada um dos quais se podem integrar múltiplos actores. A satisfação de necessidades actuais e futuras dos habitantes está subjacente ao planeamento urbano. Com o desenvolvimento da sociedade de informação e do conhecimento, cuja expansão é hoje evidente, a consciência de novas necessidades emerge. As acções e decisões resultantes do processo de planeamento, que no passado se baseavam simplesmente em pareceres técnicos, e que a generalidade da
população não questionava, são agora cada vez mais postas em causa.  Não se pode, no entanto, descartar completamente a hipótese de estas reacções se estabelecerem no âmbito da organização de certos interesses sectoriais, como os grupos de pressão. Nestes casos, há o perigo de ingerência de interesses estritamente privados no âmbito do interesse público. Esta dicotomia interesse privado/interesse público é importante por causa da motivação na origem do acto de participação, embora com a emergência da individuação haja uma tendência para a diluição da consciência colectiva (Remy e Voyé, 1992). Importa, por isso, esclarecer um pouco este conceito. Na participação pode não estar presente um interesse propriamente privado, entendido como um interesse pessoal (uti singulus ou singuli), mas antes um círculo de interesse abrangente, sectorial, que coloca o cidadão num plano de valores colectivos que fazem uma intermediação entre ele e a sociedade (uti cives). O entendimento da participação do cidadão enquanto membro da sociedade em sentido lato (uti socius) parece ser uma posição meramente ideológica, porque o cidadão acaba por se enquadrar num conceito mais restrito de interesse, seja porque reside numa determinada zona ou porque é membro de uma classe profissional em particular. Daí a sugestão de François Ascher (1995), quando propôs o conceito de citadinidade.Essa perspectiva permite-nos também fazer a distinção entre  participação interessada e participação desinteressada, conforme se valorize uma perspectiva uti singuli ou uti cives, respectivamente. A abordagem da participação de um ponto de vista da motivação permite-nos fazer a passagem para as questões do poder urbano, onde sobressai a importância do governo urbano e onde a governança é incontornável. Para François Ascher a governança urbana é “um sistema de dispositivos e de modos de acção, associando às instituições os representantes da sociedade civil, para conceber e pôr em prática as políticas e as decisões públicas” (Ascher, 2001).  Esta temática está intimamente relacionada com o problema da crise do estado e a consequente necessidade da sua reforma.

“Se pensar gera ideias, e gera, este blog  aglutinando-as permitirá, ainda, transmiti-las”

Bibliografia Utilizada:

ASCHER, François (1995),  Metapolis: ou l’avenir des villes, Paris: Éditions Odile Jacob.
ASCHER, François (2001), Les nouveaux Principes de l’Urbanisme – La fin des villes n’est pas à l’ordre du jour, La Tour d’Aigues: Éditions de l’Aube.SEIXAS, João (2000-b), «A Cidade não Governada – Motivações Públicas e Governação Urbana», in  Cidades – Comunidades e Território, n.º 1, Lisboa: CET/ISCTE, pp. 57-72.

Uma mulher de 30 anos foi presa na madrugada desta quinta-feira (3) suspeita de tentar matar os filhos de sete e nove anos, em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Militar (PM), por meio de uma denúncia anônima, os vizinhos relataram que uma criança gritava por socorro.

Ao chegar ao local, as crianças estavam sendo agredidos na rua pela mãe com mordidas e pedradas, informou a PM. A mulher foi presa em flagrante por tentativa de homicídio, segundo a polícia.

A polícia ainda informou que as crianças estavam com lesões pelo corpo e tiveram que ser encaminhadas para o Hospital de Pronto Socorro João XXIII (HPS), em Belo Horizonte. De acordo com a PM, a suspeita foi atendida em uma policlínica em São Joaquim de Bicas.

A PM disse também que o médico da unidade de saúde afirmou que a mulher pode ter problemas mentais. Ela foi levada para o Centro de Referência em Saúde Mental (Cersam) em Betim, na Grande BH. No centro, um funcionário informou que ela foi transferida para uma unidade de assistência da prefeitura. O G1 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de São Joaquim de Bicas e aguarda retorno.

Neta agride avô de 79 anos com pedaço de madeira em MT, diz polícia

A denúncia à polícia foi feita pela mãe da suspeita e filha da vítima.
Aposentado teve ferimentos no braço e foi levado ao Pronto-Socorro.

Uma jovem de 20 anos foi detida pela Polícia Militar suspeita de agredir o avô de 79 anos usando um pedaço de madeira nesta quarta-feira (19) em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. De acordo com informações da polícia, a vítima teve ferimentos no braço esquerdo e foi levada ao Pronto-Socorro Municipal para atendimento.

Ao chegar à residência da família, localizada no bairro Santa Luzia, no município, a mãe da suspeita informou que a filha e o avô estavam discutindo quando a jovem atacou o aposentado. A mãe disse ainda que a suspeita é usuária de drogas.

Comprovada a agressão, a polícia deu voz de prisão à suspeita e a encaminhou à Central de Flagrantes da Delegacia Municipal de Polícia Civil. Ainda segundo a polícia, ela deverá responder pelo crime de lesão corporal.

20/10/2011 09h16 – Atualizado em 20/10/2011 09h16

Mulher suspeita de esfaquear marido é denunciada pela filha, diz PM

Ela foi presa em flagrante na porta de casa, em Betim, na Grande BH.
Homem ferido foi encaminhado para o hospital.

Uma mulher foi presa em flagrante na porta de casa após esfaquear o marido na madrugada desta quinta-feira (20) no Bairro Parque das Acácias, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, a filha do casal foi quem ligou para denunciar que o pai teria sido esfaqueado pela mãe.

A Polícia Militar em Betim informou que vizinhos relataram que o motivo da agressão foi uma discussão entre o casal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou socorro. Ele foi encaminhado para Hospital Regional de Betim com três facadas no tórax, informou a PM.Até o momento da publicação desta matéria, a assessoria de imprensa do hospital não havia informado o estado de saúde do homem ferido.

A mulher foi autuada em flagrante na Delegacia de Plantão de Betim e depois levada para o Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) Centro-Sul de Belo Horizonte.

NEGRA, Iara Félix: Lazer, Feminilidades e Violência

NEGRIARA

NEGRIARA

Jennifer de Oliveira Cardoso, de 23 anos, foi morta em casa com oito tiros, no bairro Morro Alto, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. O único filho da vítima, de 6 anos, estava em casa no momento do crime e precisou pular o corpo da mãe para pedir ajuda aos vizinhos. De acordo com o capitão Nilton Roberto da Silva, do 36º Batalhão da Polícia Militar, a suspeita é a de que o mandante do crime, ocorrido na noite de anteontem, tenha sido o namorado da vítima, que atualmente está preso na Penitenciária Dutra Ladeira por porte ilegal de arma. Ainda conforme o policial, o assassinato teria sido cometido pelo irmão dele, Maxwell Ferreira Lima. O suspeito conseguiu fugir do local em uma moto.

Inicialmente, a hipótese é a de que o crime tenha sido passional. De acordo com testemunhas, Jennifer teria mantido um relacionamento por cerca de sete anos com Pedro Paulo Ferreira Lima, de 27 anos, conhecido na região como Paulinho Satã. Em janeiro deste ano, ele foi preso, mas os dois mantiveram o relacionamento. Nos últimos dois meses, ela teria tentado terminar o namoro e interrompido as visitas a ele.

“O crime teria sido cometido por ciúmes. Parece que ela queria se separar, e ele não aceitava. O irmão saiu da cadeia há pouco tempo e teria matado a moça a mando dele (Pedro Paulo)”, afirmou o capitão.

Por volta das 22h de anteontem, uma pessoa bateu no portão da casa. O menino fez menção de ir atender, mas a mãe disse a ele para ficar dentro de casa que ela iria olhar quem era. “Ele escutou vários tiros pouco depois que a mãe abriu a porta, mas não viu ninguém”, comentou um parente da vítima.

Segundo a PM, a suspeita recaiu sobre o irmão do namorado da vítima porque testemunhas disseram que a jovem não tinha o hábito de abrir a porta para pessoas estranhas. Maxwell teria dito, pouco antes do assassinato, que iria entrar na favela para “fazer um serviço”. 

Fonte: http://www.otempo.com.br/supernoticia/noticias/?IdNoticia=63256

NEGRIARA

Um funcionário de empresa de tratamento de redes de esgoto, que trabalhava na Avenida Existente, no Bairro Morro Alto, foi quem chamou a polícia
 Do Hoje em Dia – 26/07/2011 –
Um feto foi encontrado, na manhã desta terça-feira (26),  dentro de uma estação de esgoto em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo militares do 36°Batalhão da Polícia Militar, um funcionário de uma empresa de tratamento de redes de esgoto, que trabalhava na Avenida Existente, no Bairro Morro Alto, chamou a polícia. O homem teria dito que havia encontrado um feto. Os policiais foram até a estação e confirmaram a denúncia. A perícia foi acionada e o corpo será encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML). Os militares ainda não tem informações sobre a mãe ou as circunstâncias da morte do feto. 
Extraído do Jornal Hoje em Dia

NEGRIARA

Mãe e filho são presos em flagrante por tráfico de drogas
Nilma Esquetine de Carvalho, de 58 anos, e Gilmar de Carvalho, de 38, foram presos em flagrante com 43 porções de crack e 200 gramas de maconha
 14/07/2011 
Mãe e filho foram presos na tarde desta quinta-feira (14), no Bairro Celvia, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas na região. De acordo com a Polícia Militar (PM), militares do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) chegaram na casa dos suspeitos, na Avenida Doutor Jorge Dias de Oliva, após denúncias de que o local servia como “boca de fumo”, um ponto de venda de entorpecentes.
No local, foram encontrados 43 porções de crack, 200 gramas de maconha, celulares e material para dolagem. Nilma Esquetine de Carvalho, de 58 anos, e Gilmar de Carvalho, de 38, foram presos em flagrante e levados para o 2º Distrito Policial do Bairro Jardim da Glória.

Segundo a Polícia Militar, ambos possuem antecedentes criminais por tráfico de drogas. A mulher havia sido presa há cerca de um ano, no mesmo endereço, informaram militares da Rotam.

NEGRIARA
 

Entre os suspeitos, está uma adolescente de 17 anos que foi flagrada no Bairro Morro Alto
26/07/2011 – 11:40
Dois homens foram presos e um menor apreendido com drogas, armas e até um colete a prova de balas. O trio foi flagrado, na noite de segunda-feira (25), em Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com informações de militares do 36°Batalhão da Polícia Militar, o trio estava em uma casa no Bairro Morro Alto quando foi surpreendido pelos militares. Na residência foram encontrados mais de um quilo de cocaína, um tablete de crack, de aproximadamente  dois quilos, um revólver calibre 32, munição, um carregador de pistola 9 mm, duas balanças de precisão, celulares, várias porções de cocaína e crack embaladas para a venda, além de um colete a prova de balas e R$ 66,45 em dinheiro.
Ainda segundo os militares, Devair José de Moreira, 28 anos, e Lucas Alves de Paula, 18, uma menor de 17 anos foram detidos. De acordo com a PM, todos foram encaminhados para a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Vespasiano. 

NEGRIARA

Na Penitenciária Professor Pimenta da Veiga, 46 mulheres estão na ala feminina atualmente
O número de mulheres presas em Uberlândia aumentou 89,5% em três anos. Em 2007, eram 76 detidas na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga e no Presídio Professor Jacy de Assis. Em 2010, 144 mulheres cumpriam pena nas duas instituições. Ainda de acordo com dados da penitenciária e do presídio, a população carcerária feminina deste ano já representa 88,8% das mulheres presas em 2010. Até abril, 128 mulheres estavam presas.
Entre 2007 e 2010, a população carcerária masculina passou de 1.522 para 1.872, um aumento de 23%, quase quatro vezes menos que a taxa de crescimento da população carcerária feminina.
“Eu me envolvi com uma pessoa e comecei a me drogar”, disse uma das 46 detentas da penitenciária. O capítulo mais recente da história dela, de 32 anos, não trouxe novidade. Pela terceira vez, ela foi presa por causa do envolvimento com o crack. O motivo foi roubo para manter o vício. Ela já cumpriu quatro meses dos cinco anos e quatro meses de prisão a que foi condenada.
Na ala de Vivência Feminina da Pimenta da Veiga há espaço para 70 pessoas. Em 2010, a capacidade quase chegou ao limite, com 60 mulheres. Entre 2007 e o ano passado, o número de detidas no local cresceu 122,2%.
Já no Jacy de Assis, no mesmo período, o crescimento foi de 71,4%. A ocupação da ala feminina passou de 49 para 84 presas. Atualmente, 82 mulheres estão no local, apenas duas a menos que em 2010.
Crimes estão ligados às drogas
De acordo com o diretor de Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, coronel Flávio Lobato, a maior parte das mulheres presas esteve envolvida com drogas, e os crimes cometidos estão direta ou indiretamente ligados ao tráfico e ao uso de entorpecentes. “Muitas vezes, os companheiros delas estão presos, e há vários casos de mulheres que entram com drogas para o marido”, disse Lobato.
Dados da Subsecretaria de Administração Penitenciária de Minas Gerais mostram que, a cada ano, aumenta em 15% a população feminina nas unidades do Estado. “Vai longe o conceito de mulheres de avental em casa. Consequentemente, o crime passa a ser uma alternativa para as mulheres fora do lar”, afirmou o subsecretário Genilson Zeferino. “Cometi os três crimes por causa do crack”, afirmou uma mulher presa na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga por roubo.
Família costuma abandonar condenadas
Especialistas consultados pela reportagem do CORREIO disseram que, geralmente, o destino das mulheres envolvidas com o crime é o de se encontrar sozinhas depois da condenação. “Normalmente, os homens recebem visitas, mas a recíproca não é verdadeira, elas não costumam ser visitadas pelos maridos”, afirmou o Coronel Flávio Lobato, diretor da Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga.
“A visão de uma mulher criminosa não combina com a imagem de fragilidade que a sociedade tem da mulher. Ela é julgada pelo crime e pela sociedade”, disse Flávia Teixeira, coordenadora de enfrentamento da violência contra a mulher do Centro de Referência em Violência e Segurança Pública da Universidade Federal de Uberlândia (CeVio-UFU).
“Não vejo meus filhos, quem cuida é minha família. Eu não tenho ninguém, não tenho companheiro. Somos só eu e Deus. Minha mãe cansou de vir nesse lugar”, disse um das 46 mulheres presas na penitenciária por roubo, que é mãe de cinco filhos entre 4 e 13 anos.

NÚMEROS
*Evolução da população carcerária em Uberlândia
Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga
 2007 / 2008 / 2009 / 2010 / 2011
Homens  221 / 348 / 362 / 416 / 393
Mulheres 27 / 24 / 51 / 60 / 46
Presídio Professor Jacy de Assis
 2007 /2008 /2009 /2010 / 2011
Homens 1301 / 1412 / 1528 / 1456 / 1557
Mulheres 49 /66 /79 /84 /82
* Total
 2007 / 2008 / 2009 / 2010 / 2011
Homens 1522 / 1760 / 1890 /1872 / 1950
Mulheres 76 / 90 / 130 / 144 / 128
*Crescimento entre 2007 e 2010
Homens: + 23%
Mulheres: + 89,9%
*Minas Gerais
No Estado, 15% é taxa anual de crescimento da população carcerária feminina